por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


http://lacuevas.wordpress.com



Desprendimento necessário!



http://lacuevas.wordpress.com/

Oito anos depois, nova residência.

Levo fotografias, cartas, discos e poemas.

Estranho fechar a porta disso aqui... portas abertas do lado de lá.

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eu também vou reclamar:


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respostas nunca perguntadas

Quando dava aula em Ponta Grossa, uma das diretoras das mil escolas em que eu lecionava me parou uma vez enquanto descia pra ir tomar um café.
Conversando com a pedagoga me puxou:
- A Marcela, por exemplo - olhando pra mim - nunca reclamou dos e-mails que mando sobre Cristo, Chico Xavier, lições espíritas, né, Marcela?
- Não mesmo! - respondi sorrindo.

Cinco meses depois me lembro deste factóide. Compreendi porque estou no número mínimo de pessoas que não reclamaram da sua metralhação.

- É verdade, Marlene, nunca me incomodei pois nunca os li. Todos são selecionados e encaminhados diretamente para minha lixeira, sem serem lidos.


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eu também vou reclamar:


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conclusão de domingo à noite:

Do jeito que sou é mais fácil eu desenvolver um câncer do que um filho.

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eu também vou reclamar:


for export del Uruguay






Só o Zitarrosa tem sensibilidade pra narrar um abate desse jeito, além de problematizar de uma maneira tão poética e verdadeira a transformação Animal - Produto For Export del Uruguay:

"Temblando, con el frontal partido por el marrón, por el marronero, cae sobre sus costillas, pesada como un mundo, la res... Cae con estrépito, de bruces sobre el cemento... balando al descuajarse su osamenta, ya sólo un pobre costillar enorme, ya sólo un pobre cuero y sangre, media tonelada de huesos astillados, hincados en toda esa vida temblorosa y atónita... Ahí se va alzando, como un pesado pingajo, atrapada por la pata por un gancho que le salta arriba, que la alza por un ojal abierto en el garrón de un cuchillazo en plena estupidez sentimental, en plena media tonelada de monstruoso dolor, incomprensible, absurdo, balando, plañidera y tonta, como un escarabajo que no piensa, mientras medita lentamente por qué duele tanto y por qué duele qué parte de quién que es ella misma, la res, abierta al descuartizamiento atroz por todas partes, que nunca habían dolido y que eran tantas partes, tan extensas... y que pastando nunca habían dolido... haciendo leche, esperma, músculos, crin y cuero y cornamenta viva, que eran la vida misma manando hacia sus adentros, vibrando tiernamente como un sol cálido hacia sus adentros... y nunca habían dolido... Ya está colgada... Las patas delanteras se enderezan, se endurecen y avanzan hacia adelante y hacia arriba, implorantes y fatalmente rígidas, rematadas en cortas pezuñas que hace un instante amasaban el barro del corral, el estiércol de otros cien balidos, dinosaurios del siglo de las máquinas, nacidos para morir de un marronazo... Ahora ya es carne azul colgada en la heladera: "Uruguay for export"... Aquella res, que murió de un marronazo, cayó y tembló todo el frigorífico... Aquella otra res que recibió el marronazo en plena frente, de dos dedos de espesor, mientras entraba al tubo desconfiando porque allí no había pasto, alcanzó a comprender que había otra res delante, balando, que ya se la llevaba el gancho... y cayó detrás, también, y el cemento tembló bajo esos huesos... Aquella otra res, que esquivó el marronazo y que cayó también, con un ojo reventado y una guampa partida, deshecha, también cayó y tembló la tierra, tembló el marrón, tembló el marronero; la res, murió temblando de dolor y de miedo... de un marronazo en plena frente "for export" del Uruguay..."

Alfredo Zitarrosa - Guitarra Negra 1977

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eu também vou reclamar:


Canto Nupcial


(Título Provisorio)

Susana Thénon

Me he casado
Me he casado conmigo
Me he dado el sí
Un sí que tardó años en llegar
Años de sufrimientos indecibles
De llorar con la lluvia
De encerrarme en la pieza
Porque yo -el gran amor de mi existencia-
No me llamaba
No me escribía
No me visitaba
Y a veces
Cuando juntaba yo el coraje de llamarme
Para decirme: hola, ¿estoy bien?
Yo me hacía negar
Llegué incluso a escribirme en una lista de clavos
A los que no quería conectarme
Porque daban la lata
Porque me perseguían
Porque me acorralaban
Porque me reventaban

Al final ni disimulaba yo
Cuando yo me requería

Me daba a entender
Finamente
Que me tenía podrida

Y una vez dejé de llamarme
Y dejé de llamarme
Y pasó tanto tiempo que me extrañé
Entonces dije
¿cuánto hace que no me llamo?
Añares
Debe de hacer añares
Y me llamé y atendí yo y yo no podía creerlo
Porque aunque parezca mentira
No había cicatrizado
Sólo me había ido en sangre
Entonces me dije: hola ¿soy yo?
Soy yo, me dije, y añadí:
Hace muchísimo que no sabemos nada
Yo de mí ni mí de yo

¿quiero venir a casa?

Si dije yo
Y volvimos a encontrarnos con paz
Yo me sentía bien junto conmigo
Igual que yo
Que me sentía bien junto conmigo
Y así
De un día para el otro
Me casé y me casé
Y estoy junto
Y ni la muerte puede separarme.

De La morada Imposible
Susana Thénon nació en Buenos Aires en 1935. Fue poeta, traductora y fotógrafa. Murió en 1991.

(enviado pelo queridíssimo Cleiton)

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eu também vou reclamar:


=(






Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.


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eu também vou reclamar:


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LAERTE









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eu também vou reclamar:


siempre será canción nueva











Victor Jara

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eu também vou reclamar:


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CANCION DE LAS SIMPLES COSAS





Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
lo mismo que un árbol que en tiempo de otoño se queda sin hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amó la vida,
y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demórate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
donde encontrarás con el pan al sol la mesa tendida.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Cesar Isella - Armando Tejada Gomez


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eu também vou reclamar:


Nelson Rodrigues




"De vez em quando, alguém me chama de “flor de obsessão”.
Não protesto e explico: - não faço nenhum mistério dos meus defeitos.
Eu os tenho e os prezo. Sou um obsessivo. E aliás, que seria de mim,
que seria de nós, se não fossem três ou quatro idéias fixas?
Repito: - não há santo, herói, gênio ou pulha sem idéias fixas. Só os imbecis não as têm."


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repara que várias pombas do Terminal do Guadalupe (assim como as pessoas que ali transitam) não possuem patas
voam, e no chão se equilibram em seus toquinhos vermelhos
sente o clima tenso que há de abater todos os motoristas no dia seguinte ao do acidente terrível no centro
imagina a última refeição dos mendigos, as primeiras palavras que todas as pessoas que esperavam no ponto de ônibus
falaram quando eram bebês
imagina o peso da bolsa dos carteiros logo quando saem às ruas pra trabalhar
imagina os desastres mais bizarros em todo edifício, casa, comércio ou transporte em que se encontra
sente uma sensação indizível ao sentir na pele, nos músculos, ao pensarsentindo que sua carcaça um dia vai acabar
sentir a pele, os músculos parados, segundos depois do total silêncio
imagina a morte de todo o mundo
imagina como era o tempo em que não sabia que iria perder aquele amigo querido que já morreu
transporta esse não-saber pra hoje e sente calafrios
faz um testamento aos oito anos que começa falando “Estimado moço ou moça, se você me encontrou e eu estiver morta,
por favor, avise minha família no número tal tal tal, acalme minha família que deve estar desesperada, aliás quero doar todos os meus órgãos!
Minhas coisas pode dividir assim: meu violão...”
chora aos prantos ao escutar uma música descrevendo o abatimento de um boi “For export, del Uruguay”
quando criança chora por ter escolhido o ursinho mais bonito em vez de escolher o bichinho mais feio que ninguém vai escolher e que vai
ficar lá pra sempre desescolhido
sofre como não sofre por mais nada nesse mundo por qualquer bicho
se preocupa em ligar pro 156 pra irem retirar a pomba que está morta na calçada
exige seu troco de 0,01 centavo em todos os estabelecimentos comerciais
vê a morte fazendo seu serviço diariamente, ruas esburacadas, burocratas, a flor que murcha, a dor do cão, a ilusão do homem
sabe que tudo (tudo mesmo) que começa termina
verbos tão antagônicos que não se excluem
o olhar ao envelhecimento, a fome, a guerra


Minha inefável entropia termodinâmica.


Clara Cuevas


- eu também vou reclamar:


já morri tantas vezes...



cada dia é um renascimento

cada hora é uma ascensão

cada minuto é uma queda

morro em cada segundo


diminuto de hora em hora.


Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


É este o Paraná que queremos?



Escrito por Maite:

Peço desculpas por escrever esta mensagem em primeira pessoa, fugindo às regras de envio de pauta do jornalismo, mas a escrevo com o coração doído de uma situação de extremo preconceito que aconteceu em Curitiba, a cidade onde moro desde que nasci, agora há pouco, nesta noite de terça feira dia 08/06/2010, e peço que ajude a divulgar este caso, para que possamos identificar o tal sujeito que fez a violência para que isto não continue.

Os manifestantes pediram na noite de hoje, no centro de Curitiba, a destituição do presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), por causa de denúncias envolvendo desvio de dinheiro dos cofres da Casa. A concentração foi promovida pelo movimento "O Paraná que Queremos".

Fui liberada de minhas aulas da Faculdade de Artes do Paraná, onde curso o segundo ano de bacharelado em interpretação, para participar deste importante movimento político que Curitiba, junto com outras 12 cidades organizou, pela ética e transparência.

Do nada, um dos alunos usando uniforme de agasalho da Faculdade de Direito de Curitiba, começa a fazer uma manifestação muito calorosa atacando um grupo de 4 homossexuais que empunhavam durante a manifestação a bandeira rainbow do movimento GLBT. A bandeira rainbow era somente uma dentre outras tantas de movimentos e partidos que ali estavam lutando por este mundo melhor e mais justo.

Eu estava com minha amiga, perto deste grupo com a bandeira rainbow e comecei a perceber uma rapaz exaltado, que aos poucos foi se tornando violento, e sendo segurado pelos seus colegas de curso de direito. Este grupo de estudantes de direito estavam formando uma espécie de bateria organizada na manifestação da Boca Maldita. Comecei a perceber que um dos meninos que segurava o standard rainbow, começou a baixar a bandeira que segurava e começou a ficar com expressão de assustado e medo. Foi então que me aproximei e vi a gravidade do fato.

O tal estudante de Direito, que fiquei sabendo depois por pessoas que estudam nesta faculdade, é uma espécie de líder do movimento ou centro acadêmico e está num dos últimos anos do curso da Faculdade de Direito de Curitiba, estava violentamente ameaçando agredir e tirar a força o grupo de homossexuais. Eu e minha amiga escutamos quando ele falou: “Tirem esta bandeira de viados daqui de trás de nossa manifestação e bateria. Não queremos nossa imagem vinculada a nada de vocês.”

E minutos antes de tudo isto acontecer, estes mesmos estudantes, que chegaram ali na parte da frente do palco minutos antes da manifestação acabar, por volta das 20:30h, foram tomando conta deste espaço empunhando seus instrumentos e empurrando com seus braços fortes e pesados, as pessoas à sua volta, dizendo que a bateria queria passar. Sem o mínimo respeito e usando de força e “empurra-empurra”.

Eu e minha amiga, vendo o pequeno grupo de 4 homossexuais que tinham faixa etária de 14 a 20 anos, sendo praticamente achincalhado em praça pública, por este acadêmico de direito, nos aproximamos, tomamos a frente e começamos a dar força e coragem aos homossexuais que estavam com medo até de serem violentamente agredidos, não deixando que eles saíssem dali daquela maneira e tentando mostrar ao tal estudante de direito o absurdo de sua atitude de preconceito e homofobia.

O estudante de Direito gritava cada vez mais e tentava partir para a violência física, inclusive sobre eu e minha amiga que nos juntamos ao grupo discriminado. Só não conseguiu porque foi segurado por uma rodinha destes amigos de bateria da mesma faculdade, que o impediram. Mas nada fizeram em defesa da liberdade de manifestação de todos, contra o colega preconceituoso.

No final, o grupo de jovens homossexuais, ficou com medo de ir embora, passei meu fone e agradeci pela consciência política deles e por não terem baixado a cabeça e terem vergonha do que eles acreditam. Escrevo com o coração em dor este email, pedindo ajuda ao seu meio de comunicação que me ajude a identificar quem é este estudante, pois somente assim poderemos talvez ensinar um pouco de cidadania e direitos humanos, pois parece que esta matéria não está sendo levada a sério por alguns acadêmicos e futuros “doutores da lei” do nosso país.

Sei que este aluno e espero não perder as esperanças nisto, é um caso raro e sui generis de preconceito extremo dentro da Faculdade de Direito de Curitiba, pois eu mesma, já fui aluna por anos da mesma faculdade, quando na mesma só havia o curso de Direito, e nos ensinavam a igualdade e respeito ao próximo já no início de nossa vida acadêmica.

Triste episódio acontecido nesta noite do dia 08/06/2010. Peço que se você, que esteve perto do acontecido e sabe quem é este estudante, ou é amigo de bateria do mesmo e não concorda com este fato absurdo e calou-se na hora por “amizade”, que possa estar nos apontando o referido cidadão para que as devidas medidas sejam tomadas ou, no mínimo, um encaminhamento seja feito.

Sem dúvida, o Paraná que queremos, não inclui as atitudes como a deste infeliz estudante.

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Favor divulgar o ocorrido. Para maiores informações e contato direto com Maite, contate-me.

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eu também vou reclamar:


LAERTE



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eu também vou reclamar:


memórias



"[...] você é tempestade,

a Aline é banho quente."

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eu também vou reclamar:


hola, hello, como estás




ai vida, ai espelho! não me olhe agora! estou tão desarrumada, descabelada, mal vestida, suja!vejo as fotos, meu deus! Como eu era linda...
eu era extraordinariamente linda, desde quando me conheci, sempre fui linda, meus olhos, meus cabelos, minha magreza, minhas despreocupações
, aahh cada fardo um quilo a menos, como eu era tão bonita, agora minha cara de preocupação e meus óculos e meus prazos e
prestações, dois dias sem banho me fazem essa cara horrorosa no espelho, cabelo curto, óculos sujo, dor nas costas, tirei a sobrancelha mas
não adiantou, já perdi o lápis de olho, até a escova de cabelo eu perdi, cara de quem já nasceu fudida, mas eu não nasci, gente, eu só me fodi com
o tempo, e agora aqui, com esse casaco cheio de pelos caninos, pés sujos de terra, cabeça atormentada, agenda cheia, make money make money,
ser e ter, ser e ter, make money, não moça, não quero saber de educação, ensinar virtude, educação, to fora, meu negócio é história, não quero saber
do futuro do mundo, quero saber do presente do mundo embaixo do meu nariz, quero saber dessa merda terrena que eu piso, terrena, essa é a palavra,
tenho muito de terra, de peixes nada, já nasci errada, meu deus, tenho que dormir, acordar, corrigir provas, preparar provas, provar a minha provação,
sem sal na terra, sem cio, como eu era linda, terra, linda mesmo, mas agora estou descabelada, suja de barro, nem invente de me abraçar, deixa eu
tomar um banho a gente senta e toma um café mas hoje não, vida, agora não, não me aparece assim porque eu tô muito nada a ver, tô um saco plástico
de mercado amassado na gaveta, tô um fiapo, ó meus erros de português, meu cansaço, meus eros, meus zeros, minhas vírgulas, eu só quero os meus
dez anos de volta, eu não quero morrer assim, eu não quero morrer, nem sei o que to fazendo aqui nascida, foi sem querer, desculpa, vida, não me olha
assim, por favor, espelho, não me olha...


Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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colônias de ayuntamiento


FODEU

A LUZ NO TEU NOME

A ÁGUA NO MEU.



Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


caio fernando abriu-me



“No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura,
entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o
outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,
berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses
dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos.”

(em “Pequenas Epifanias”)

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eu também vou reclamar:


A conduta

dos homens da minha infância tinha a aparência de um sorriso do céu dirigido à caridade terrestre;
saudava-se o mal como se fosse uma rapaziada da noite. A passagem de um meteoro comovia. Apercebo-me de que a
criança que fui, tão disposta a apaixonar-se como a ferir-se, teve muita sorte. Caminhei sobre o espelho de um rio cheio
de anéis de cobra e danças de borboletas. Brinquei em pomares cuja velhice robusta dava frutos. Escondi-me nos juncais,
guardados por criaturas fortes como carvalhos e sensíveis como pássaros. Este mundo asseado morreu sem deixar ossários.
Ficaram apenas cepas calcinadas, superfícies errantes, pugilatos informes, e a água azul de um poço minúsculo guardado
por aquele Amigo silencioso.


René Char - Suzerain in Fureur et Mystère

. eu também vou reclamar:


al paraíso me voy



voy a valparaíso
voy a cantar a las nubes
voy a bailar en hechizo

voy a correr por las calles
veredas de pan y banderas
al vendaval, al polvo, a las cuequeras

al meneo marino, a la vanidad, al viento
voy a mirar por tus ventanitas
tus matadoras ventanitas verdes

voy a valparaíso

al paraíso me voy.

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eu também vou reclamar:


divagação



s.f. Ação de divagar, de andar por uma ou outra parte. / Fig. O ato de se desviar arbitrariamente do assunto de que se trata; digressão.

devagar com as
divagações
elas devem ir

elas de verão.


Clara Cuevas


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eu também vou reclamar:


trinta e nove



Metade pássaro
Que fase é essa?
Metade rinoceronte

Onde foi parar meu potencial humano?

São três metades lutando por doze meses

Como é fácil morrer distraído!

São quatro metades-avião
Cinco metades-navio
Seis metades-não-sei
Sete metades-não-fazem-um-inteiro
Doze tanto-faz

Eu peguei dezesseis ratos de esgoto e distribuí temperados no prato de todo o mundo e você gostou e foda-se

Que frase é essa?


Eu caminho, uma quadra após a outra, com pássaros rápidos, de chinelo.


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eu também vou reclamar:


Cindy e Lauper





Pessoal, fomos resgatadas semana passada numa calçada bem fria e cheia de mato. As tias que nos acolheram estavam morrendo de dó pois elas viram que a gente pegou aquela baita chuva e além disso estávamos bem fraquinhas, morrendo de sede e fome! Agora estamos alimentadas e castradas. Ouvi uma das tias dizendo que temos mais ou menos 6 meses de idade mas que infelizmente elas não podem ficar com a gente porque já têm 8 cachorros e não há espaço suficiente pra gente brilhar! Apesar de já termos sofrido nas ruas, somos muito lindas e meigas, além de tudo obedecemos muito bem. Somos verdadeiras divas e vamos ficar de porte médio.

Ajude a gente a encontrar um lar gostoso e quentinho?

Muito Obrigada!

Os interessados podem mandar um e-mail para a tia Clara: clarita.cuevas@gmail.com

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eu também vou reclamar:


amar e mudar as coisas



mas é tão difícil



esse meu sonhosacrifício



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eu também vou reclamar:


desclassificada



não me indicaram pra vaga
não tinha nenhum conhecido
na fila eu era a 567
e haviam dois tipos de senha... uma estava na A41 a outra na 230

não me chamaram pro departamento
nem tive chance de mostrar meu talento
meu espanhol fluente
minha experiência
meu mortis curriculum vitae
minha paciência
minha formação

ninguém me perguntou nada
nem supriu minhas expectativas
nem respondeu meus e-mails
ou retornou minhas tentativas

eu nunca me senti tanto um número

não querem minha boa vontade
meu suor, minha carne
nem merda nenhuma

não fui selecionada, aprovada
não cumpri os requisitos necessários
mesmo cumprindo todos os pré-requisitos
fui a deletada desconhecida

eliminação, afastamento, extermínio
de tudo que poderia ter sido
mas não fui.

- No momento seu perfil não se encaixa neste planeta.



eu nunca fui tanto o número zero.



Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


27 de setembro





Parada da Diversidade de Curitiba - Concentração as 13:00 na Praça do Homem Nu

HUM!

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eu também vou reclamar:


cazuza / buenos aires rock





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eu também vou reclamar:


la presencia de las ausencias













www.gustavogermano.com





"Hoy anduvo la muerte buscando entre mis libros alguna cosa... Hoy por la tarde anduvo, entre papeles, averiguando cómo he sido, cómo ha sido mi vida, cuánto tiempo perdí, cómo escribía cuando había verduleros que venían de las quintas, cuando tenía dos novias, un lindo jopo, dos pares de zapatos, cuando no había televisión, ese mundo a los pies, violento, imbécil, abrumador, esa novela canallesca escrita por un loco... Hoy anduvo la muerte entre mis libros buscando mi pasado, buscando los veranos del 40, los muchachitos bajo la manguera, las siestas clandestinas, los plátanos del barrio, asesinados, tallados en el alma... Hoy anduvo la muerte revisando mi abono del tranvía mis amigos, sus nombres, las noches de café Montevideo, las encomiendas por la Onda con olor a estofado, revisando a mi padre, su Berreta, su Baldomir, revisando a mi madre, su hemiplejia, al Uruguay batllista, a Aristides querido, a mis anarcos queridos bajo bandera, bajo mortaja, bajo vinos y versos interminables... Hoy anduvo la muerte revisando los ruidos del teléfono, distintos bajo los dedos indices, las fotos, el termómetro, los muertos y los vivos, los pálidos fantasmas que me habitan, sus pies y manos múltiples, sus ojos y sus dientes, bajo sospecha de subversión... Y no halló nada... No pudo hallar a Batlle, ni a mi padre ni a mi madre, ni a Marx, ni a Aristides, ni a Lenin, ni al Principe Kropotkin, ni al Uruguay ni a nadie. Ni a los muertos Fernández más recientes... A mi tampoco me encontró... Yo había tomado un ómnibus al Cerro e iba sentado al lado de la vida... Pasé frente al Nocturno y la vida había pintado unos carteles... Pregunté en una esquina por la hora, y en la bolsa del hombre que me dijo la hora iba la vida, junto con su almuerzo... Hoy dejaré las puertas y las ventanas de mi casa, abiertas... Y la noche entrará por todas las ventanas de mi casa, por todas las ventanas de todo el barrio, por todas las ventanas de todos los cuarteles y de todas las cárceles, por todas las ventanas de los hospitales... La noche entrará, cabeceando, saltará para adentro, sombra a sombra a la luz del farol... Y se echará en el piso como un perro... Y aguardará hasta la madrugada... Hoy... Dejaré las puertas y las ventanas de mi casa, abiertas, para siempre...

[...]

Hago falta... Yo siento que la vida se agita nerviosa si no comparezco, si no estoy... Siento que hay un sitio para mi en la fila, que se ve ese vacío, que hay una respiración que falta, que defraudo una espera... Siento la tristeza o la ira inexpresada del compañero, el amor del que me aguarda lastimado... Falta mi cara en la grafíca del pueblo, mi voz en la consigna, en el canto, en la pasión de andar, mis piernas en la marcha, mis zapatos hollando el polvo. . . Los 7 ojos mios en la contemplación del mañana... Mis manos en la bandera, en el martillo, en la guitarra, mi lengua en el idioma de todos, el gesto de mi cara en la honda preocupación de mis hermanos."


Alfredo Zitarrosa


...argentinauruguaychileparaguaybrasilbolíviaperunicaraguaelsalvadormexicocolombiavenezuelahondurasguatemalahaiticubapanamasantodomingo...

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eu também vou reclamar:


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jovem mordido por um lagarto - caravaggio

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eu também vou reclamar:


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caçamba



Talvez eu precisasse de um pouco de leveza. Ouvi “tenha calma”, “tranqüila”, “espere”, “tenha paciência”, mas não era o tempo que precisava ser melhor aprendido. Às vezes é necessário moldar o peso dessa sensação, dos passos, dos golpes. E eis que eu me via precisando de leveza. Uma dieta resolveria o organismo, mas minha cabeça pesava mais de cem quilos e regime nenhum poderia tirar tanta massa, tanto volume.
Foi estranho reconhecer aqueles passos tão duros, pés ressecados, costas corcundas tão rígidas, como elementos meus, como infinita fonte de destreza que eu carregava ali, tanto peso, tão pesado. Duro. E não tinha escapatória. Aquele espelho era meu sim, e eu cética não poderia argumentar que era a figura de outra pessoa. Aquela imagem. Aquela face, descrente, orgulhosa de ser realista e nunca dizimista.
Minha expressão endurecida transformava cada elemento tocado, cada futuro passo. Um monte de entulhos, lombadas e pedras apareciam na minha frente e eu não sabia o que fazer.
Saindo de uma profunda fumaça cinzenta percebi que eu estava precisando de um bom conselho.


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eu também vou reclamar:


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Sabe aquele cachorro sarnento, manco e fedorento que você expulsa na rua com imenso repúdio?

Sabe aquele cachorrinho fofinho que você compra por R$ 500,00?






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eu também vou reclamar:


influenza da priguiza





ou

Medidas para sobreviver na selva de humanos-suínos




"Os alunos sintomáticos devem permanecer no domicílio durante todo o período de afastamento, não devendo freqüentar shoppings, cinemas, festas etc."
(ou seja, reuniões chatas, missas e eventos massantes estão liberados)

Muita atenção às medidas gerais de higiene pessoal: (que todos deveríamos ter desde sempre pois aprendemos isso bem cedinho com a tia Mari no Jardim Três)

1 – Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar. Cobrir a boca e o nariz com lenço de papel, nunca com a mão (!). Este lenço utilizado deve ser descartado. Caso não haja lenço ou toalha de papel disponível é preferível cobrir o nariz e a boca com a manga da camisa (“espirrar no cotovelo”) (quem já espirrou no cotovelo?) do que fazê-lo com as mãos, por meio das quais os germes são facilmente transferidos para outras pessoas ou para o ambiente (telefone, maçanetas etc.). Ou seja, não espirre em maçanetas. Em seguida, lave as mãos.

2 - Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica (rum,conhaque, etc), em especial, após ter tossido, espirrado ou assoado o nariz (porco!) ou após ter utilizado transporte público. Se usar o transporte público pode beber a solução alcoólica . Depois, lave as mãos.

3 - Não compartilhar copos, canudos, toalhas, talheres, protetores labiais ou batom. Não dê as mãos, não abrace. Bombilhas de mate, tereré. Lave sempre as mãos.

4 - Não colocar os lábios no bico ejetor de água dos bebedouros. Não chupe o bico ejetor dos outros. Lave as mãos.

5 - Manter os ambientes adequadamente ventilados. Sempre lavando as mãos.

Estes cuidados são medidas insanamente preventivas muito importantes para reduzir a transmissão do vírus Influenza A e de outros microorganismos. Colabore!

Para mais informações: Disque Saúde: 0800 61 1997 ou acesse: Portal do Ministério da Saúde: HTTP://PORTAL.SAUDE.GOV.BR/SAUDE/

Em Curitiba: todos os Postos de Saúde estão atendendo casos suspeitos da nova gripe. Lave as mãos.

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eu também vou reclamar:


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baixas temperaturas, baixos temperos



Foram exatos setecentos e sessenta e dois dias de chuva. Dias ininterruptos de chuva ininterrupta. Mentira. Às vezes parava de chover para chuviscar. As pessoas molhadas, muito elegantes com suas botas de liquidação e seus cachecóis verde-escuro, vinho ou preto, casacos marrons bonitos, se tornavam pessoas elegantemente cinzas. Pessoas nubladas, tão nubladas, tão lindas, tão feias. Cada pessoa era uma nuvem carregada. Um pouco de atrito e já era motivo para uma tempestade fatal, turbulência enjoativa, náusea, mal-estar. Uma semana inteira de turbulência. Um ano inteiro de mau humor. Uma vida inteira de mal-ser. Enfim. A dança dos guarda-chuvas apressados, ocupados, vazios. Este período de chuva molhada afogou tanta gente em mágoas, desespero, tédio que todos gripados com a gripe mais sensacionalista de todos os tempos se esqueceram do elemento sol, do calor, das conversas, do microondas, do abraço, enfim, de tudo que esquenta. Como a água suja que transborda dos esgotos nas enchentes. Engentes. O homem líquido formava então sua sociedade molhada, úmida e cheia de bolor. Plantas secas e cachorros ensopados de frio.

Eu não gostava desse tempo, dessa paisagem, dessa cena.

Setecentos e sessenta e dois dias de frio, de chuva, sem neve, sem orvalho, sem dezembro, sem clareira, sem nada.

Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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John



meu ancião, meu lindo, meu irmão

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eu também vou reclamar:


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chiquita




Legenda:



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eu também vou reclamar:


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M

elancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade

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eu também vou reclamar:


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bakunin



a paixão pela destruição é uma paixão criativa.

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eu também vou reclamar:


felis do geito que cempre fui





guarulhos, 1992


o primeiro encontro com o mal, jardim 3


scarface,1990


the most destructive animal in the world,1996


faculdade de primitivismo, 1996


delinqüente juvenil, 1996


em casa um dia desses...

. eu também vou reclamar:


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vômitos, febre, mal-estar, taquicardia, convulsões, tremedeiras, peste negra, mal do século, gripe espanhola, otimismo

internou-se

sua doença já tinha saído de moda

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eu também vou reclamar:


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vivir sin miedo




"¿Te importa mucho que Dios exista?
¿te importa que una nebulosa te dibuje el destino?
¿que tus oraciones carezcan de interlocutor?
¿que el gran hacedor pueda ser el gran injusto?
¿que los torturadores puedan ser hijos de Dios?
¿que haya que amar a Dios sobre todas las cosas
y no sobre todos los prójimos y prójimas?
¿Has pensado que amar al Dios intangible
suele producir un tangible sufrimiento
y que amar a un palpable cuerpo de muchaha
produce en cambio un placer casi infinito?
¿acaso creer en Dios te borra del humano placer?
¿habrá Dios sentido placer al crear a Eva?
¿habrá Adán sentido placer cuando inventó a Dios?
¿acaso Dios te ayuda cuando tu cuerpo sufre,
o no es ni siquiera una confiable anestesia?
¿te importa mucho que Dios exista? ¿o no?
¿su no existencia sería para tí una catástrofe
más terrible que la muerte pura y dura?
¿te importará si te enteras que Dios existe
pero está inmerso en el centro de la nada?
¿te importará que desde el centro de la nada
se ignore todo y en consecuencia nada cuente?
¿te importaría la presunción
de que si bien tú existes
Dios quién sabe?"

Mario Benedetti


vaya sin diós, Mario.

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eu também vou reclamar:


We accept you, one of us!






Segurava o meu saco. De pipocas grandes em minha mão direita. Na esquerda um copo. De plástico, de refrigerante com algum gene malabarístico.

Com as duas mãos (ainda que ocupadas), segurava minha carteira, um ticket.

O troco e meu celular, e ela não sabia o que fazer. Com minhas duas bolas ninguém nega um passeio no parque.

Mesmo quando todos os brinquedos estão estragados, ainda existem os carrinhos de bate. Bate... Isso... Meus amigos, é uma alegria.

Efêmera e tola, mas sempre compramos nosso ingresso.

E quem metáforas gostaria de vida para entender?


Clara Cuevas

*Foto: Freaks (1932)
** Paráfrase de Sobre a Alegria Tola.


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eu também vou reclamar:


Surprise!

Meu google espanhol encontrou uma tal escritora num site só de Poesia Boricua (de Porto Rico) de MIL NOVESCENTOS E TRINTA E SETE!

Sabe o nome da Escritora?



- Nossa, depois dessa informação eu:

( ) Vou fazer um reggaeton com esse poema.
( ) Vou procurar já meu nome no Santo Graalgle.
( ) Não sabia que você era porto-riquenha, Clara.
( ) Agora tenho certeza que TODOS os paraguaios são falsificados!

-


eu também vou reclamar:


as notícias diárias da minha cabeça, ao vivo e aos porcos:




JUSTIÇA
João Da Silva Pereira de Souza, 35 anos, pai de 4 filhos, esposo de Maria Aparecida dos Santos Souza, foi preso nesta quinta-feira, ao delatar que seu superior Pedro Juds Hans Put Almeida, descendente de alemães, dono da empresa Hans Gute Sifodans, explorava diariamente sua mãe de obra Sueli Fonseca Xavier há 20 anos. Na delegacia houve tumulto e grande confusão. Alegando calúnia e difamação, Pedro Juds e toda a mídia internacional conseguiram condenar João, que ficará preso por 67 anos por tentativa de sinceridade triplamente qualificada.


MUNDO
Os grupos terroristas La Caida e Jamás se confrontaram hoje com o grupo de inteligência Norte-americano Never Peace. John White Fucker, chefe do departamento de segurança universal confirmou que pelo menos 95 palestinos morreram entre eles 234 crianças e 986 mulheres (já estupradas anteriormente). Este número deve aumentar consideravelmente, já que ONU liberou o uso de armas ilimitadas pelos países imperialistas e apoiou o uso de Napalm Death nas merendas escolares da Palestina, afim de contribuir com a estratégia de derrotar a tentativa de paz no Oriente Médio.


TRAGÉDIA
Morre a Jovem Camila Martini Campos de 14 anos, vítima de estorvo e encheção de saco. Na última terça-feira encurralada por um grande rato que roeu todas as suas cavidades e orifícios sexuais, a menina Camila tentou fugir batendo as asas que deus lhe deu, porém com o sentimento de culpa e a consciência pesada não conseguiu voar muito longe, caindo num matagal perto de Colombo, e sendo brutalmente morta à risos por meio milhão de habitantes.



Eu sou Clara Cuevas e estas notícias são da hora.

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eu também vou reclamar:


RAFAEL SICA






















Tem mais em: http://rafaelsica.zip.net/



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eu também vou reclamar:



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A Renata e o Fiapo

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eu também vou reclamar:


Estimados leitores,



O antigo "Mimi", foi amabilissimamente adotado pela nossa amiga Renata!
Tirei fotos dela com o bichinho mas deu pau na câmera e eu não consegui passar pro computador.
A Rê muito sabiamente (detonando minha falta de criatividade) rebatizou o nosso fofo felino de "Fiapo"!
O Fiapo que antes era um fiapinho mesmo, batizado de "Mimi a gatinha" - porque eu não reparei no
pipi que ele não tem por ser bebezinho, e achei que fosse El@ (esqueço que gato não é cachorro) -
está muito bem, com caixinha e areia, comida, amor, enfim um lar!

Uma salva de palmas pra Renata!




Obrigada, Rê!

PLAC PLAC PLAC PLAC PLAC PLAC

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eu também vou reclamar:


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gato menor que sapo





ele ronrona como um gato
e mexe as patas como se fizesse massagem
exatamente igual a um gato

o que me fascina é que ele faz tudo isso
tão naturalmente, como um gato
tendo convivido tão pouco ou quase nunca com um gato
e gato sendo há no máximo um mês

não resta dúvidas de que é realmente um gato
ainda que estivesse tão frágil e quase morrendo
quando visto ali tão-nada,
tão não-gato de não-vida que a rodovia é.


Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


-



Boa Noite!

Este é o Mimi, ele foi encontrado hoje, na beira da Rodovia da Uva, parado, muito magro, assustado e fraquinho, mal pôde se mexer quando eu fui pegar ele.
É muito carinhoso e dócil, deve ter no máximo um mês e meio. É quase do tamanho da minha mão!
Fica pedindo carinho e ronronando...

Está em um lar temporário e aguarda apreensivo enquanto não encontra um lar definitivo, aconchegante que lhe dê muito abrigo e amor!

(apreensivo porque aqui em casa temos 4 cachorros grandes!)

Favor divulgar a quem tiver interesse: clarita.cuevas@gmail.com

Vamos ajudar esse pititico a ter uma vida FELIZ!



mimi jantando menor que o sapo


--


eu também vou reclamar:


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Eu, nascida mulher e assolada
Por ânsias e caprichos da espécie,
Sou compelida a achar sua presença
Atraente, e sentir algum júbilo
No peso de seu corpo em meu peito:
Sutil, o perfume da vida faz
Clarear o pulso e ofuscar o tino,
Deixando-me desfeita, entregue.
Mas não pense que minha traição
Do sangue forte à vacilante mente
Vá nimbá-lo de amor, ou temperar
Meu desdém com mercê- escute bem:
Um tal frenesi não é razão suficiente
Para falarmos, quando nos cruzarmos.


-

E se eu te amasse quarta,
Não te amarei na quinta
Isso pode ser verdadeiro.
Por que você reclama?
Te amei na quarta sim, e daí?







poesia de Edna Vincent (22 de Fevereiro de 1892 – 19 de Outubro de 1950)

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eu também vou reclamar:


gus




Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.*

-


- Umbigo meu, um, dois, três.

Seus pulinhos não alcançavam nem a metade. Talvez um terço.
Era a quinta tentativa só naquela noite e não conseguia perpassar a umbra que a impedia.

- Umbigo teu, um, dois, três.

Repetia tantas vezes que freqüentemente eram só seus pensamentos que tentavam sem parar.

- Umbigo teu, um, dois, três.

Mais do que um muro, um precipício enorme bem ao lado, virando à esquerda, à esquerda de novo,
mais duas vezes à esquerda e adentro.

-Umbigo meu, um, dois, três, quatro.

Dez vezes e nada. Trinta anos e nada. Como era difícil pensar com o umbigo dos outros.


Umbigo tudo bem, o problema é dois.



Clara Cuevas


*Nelson Rodrigues


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eu também vou reclamar:


Já assistiu The Fall?






O filme é indiano, de 2006, do mesmo diretor que fez "A Cela".

Recomendadasso.


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eu também vou reclamar:


segredo




amo demais meu inferno para querer que o visites.***


Nunca fiz um MEME na minha vida. Parece que em algum passo vou largar mão e desistir.
O tema é interessante porque fala sobre os sete pecados. E pecado sempre foi uma temática engraçada na minha vida.
Na primeira comunhão devia ter aprendido o que era pecado mas não aprendi. Menti pro padre pra conseguir comer a porra da óstia. E depois de três suspensões consegui.
Ainda hoje pra mim não existe pecado do lado de baixo do Equador , vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor, me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho, um riacho de amor, quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo, que eu sou professor.*


Vamos tentar:

1) Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora;
Comer além do necessário quase sempre, a toda hora depende. Mas comer além do necessário a toda hora é difícil. Só não faz comida gostosa, por favor.

2) Avareza: é a cobiça de bens materiais e dinheiro;
(quase desistindo) Penso nisso às vezes, minimalista, parece que não preciso nunca de nada, mas é mentira, tem coisa que eu quero muito. É cobiça? É material? Espiritual?
Sobrenatural? Que pecado complexo! Neste momento um tereré bem gelado e um ventilador ligado ao extremo e um computador e uma música do Pink Floyd e putz, acho que essa lista não vai ter fim...
Mas isso varia, ao mesmo tempo que me acostumo com as necessidades do mundo, quando viajo levo o mínimo possível. Este pecado é tipo imagem & ação, varia de acordo com a situação, pessoa, objeto ou animal.

3) Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa;
As vezes sinto vontade de ter mais tempo e dinheiro como as pessoas que tem mais tempo e dinheiro que eu. Mas ninguém em especial... ou todos... não sei... Porquê, você tem?

4) Ira: é a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável;
Ira não, prefiro Titãs. Tenho ira, aprendi a lidar um pouco com ela quando fazia Aikidô. Mas quando eu tenho eu tenho, não pode? Raiva pelo menos uma vez por semana, ódio não lembro, rancor... perdôo mas não esqueço. Ou não perdôo também, foda-se, sei lá, entende.

5) Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-suficiente;
Mas eu sou mesmo. Sou auto-suficiente com todas as coisas e palavras e pessoas que eu sei muito bem que preciso. Este meme me faz raciocinar o quão perfeita eu sou. Sou egoísta. Mas meu umbigo nunca reclamou. Humildade é um atributo que eu admiro pra caralho, dizer que é humilde é não sê-lo. Só sei que não sei de porra nenhuma. É realmente estranho responder a estas perguntas.
- É que não são perguntas, Clara.

Mas espírito de porco eu tenho mesmo. E é um porco bem fofinho!

6) Luxúria: apego aos prazeres carnais;
Opa, agora sim, sempre que possível gozo de prazeres carnais, musicais, alcólicos, gastronômicos, astronômicos, noturnos, diurnos, todos eles sempre. Sou bem apegada a todos eles, uma delícia.
Como disse o George Best: "A maior parte do meu dinheiro eu gastei com bebidas, mulheres e carros velozes. O resto eu desperdiçei."

7) Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico.
Minha mãe sempre me ensinou que preguiça mata. Sempre trabalhei muito, sem tempo ruim. Acho que é o pior "pecado", se é que eles existem. Ainda assim o sono é sagrado pra mim. O sonho...

-


Fundamentais são os versos do Drummond**:


A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.



--

Quer fazer o Meme?

Os pecados:

Gula: comer além do necessário, excesso de comida e bebia.
Avareza: apego a bens materiais e dinheiro.
Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa.
Ira: raiva, ódio, rancor.
Soberba: falta de humildade.
Luxúria: apego aos prazeres carnais.
Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço.

A proposta do meme:

- Citar em que situações você se enquadra em cada um dos pecados capitais;
- Publicar suas respostas no blog;
- Passar para 8 blogs;
- Avisar e Linkar os blogs escolhidos.


- Avisar e Linkar os blogs escolhidos.
Oito blogs é muito, vou linkar alguns:

Prelúdio é hoje: http://preludio-e-hoje.blogspot.com
Diprofundis: http://diprofundis.blogspot.com/
Cambalacho Tupiniquim: http://www.cambalachotupiniquim.blogspot.com
Brumas de Tico Litlle (que me passou o Meme): http://ticolitlle.blogspot.com
Blog da Manu: http://manoelaafonso.zip.net/index.html

Não vou avisar nem passar pros blogs escolhidos. Impaciência e Intolerância, a gente vê por aqui.


Clara Cuevas


* trecho da música "Não existe pecado ao sul do Equador" do Chico Buarque e do Ruy Guerra
** poema "Segredo" do Carlos Drummond de Andrade
*** do texto "Meu amigo" do Khalil Gibran.





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PONTO DE VISTA

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eu também vou reclamar:


Ar-te




Que fome sinto, sede, cansaço. Incrível a sensação de vigor e liberdade que me dá pensar e estar na arte.
É como chegar em casa. Não é sentir uma esperança de que o mundo será melhor e tudo é possível e deus é bom.
Nada disso. Um bom poema, uma boa fotografia, uma boa música me dão a maior sensação de liberdade, um sentimento
revigorado de confiança, de paz, de euforia, e de saudade, muita saudade de frequentar os saraus, de declamar a poesia
mas eufórica e desconexa, de sentir o prazer de ouvir aquela música, aquela voz, aquele refrão,
de ser conduzida pela pista ou pelo tablado por um arrepio sem fim.




Fotografia: da exposição 'arte para crianças', em cartaz no ccbb-brasília - 02/01/09 da armiga Manoela Afonso http://manoelaafonso.zip.net/index.html



Enfim, um fôlego.



Clara Cuevas



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JOGO DOS NOVE ERROS



governo federal injeta 4 bilhões no sistema educativo para melhorar a qualidade na educação Israel provavelmente cometeu crime de guerra voo não tem mais assento eu quero colocar os pingos nos us não podemos deportar três milhões de judeus para madagascar, nem pra polônia, o mais viável é exterminá-los na própria alemanha os índios nunca existiram na argentina pois foram exterminados pago cada vez mais para ter cada vez menos todos os cães merecem o céu o patrimônio é público, não é meu não sou preconceituoso, desde que fique longe de mim eu puta casta virgem santa escola pública gratuita esmolas púbicas gratuitas promoção kilo do feijão 7,68 promoção humana ameaça de paz no oriente médio oito maneiras de mudar o mundo o mundo é gay, a sociedade é que o corrompe


mentirinhas cotidianas, sabe? pesam no bolso, pesam no fim do mês, no fim do ano, no final do século

o bom é que tudo se renova psicologicamente pra gente pensar que algum dia, um dia fez tudo mudar

a gente sente vontade de comprar tudo de novo, a gente sente vontade de ser novo

porque algum dia algum filho da puta inventou de fazer um calendário

a gente se e-nova, a gente muda é o cacete

quem sabe daqui a uns 20 anos eu possa dizer feliz clara nova

eu mundo
ou não

feliz todo dia
depende
do humor.


Clara Cuevas




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Bachatita o Merenguito?




Hoje você vai conhecer um pouco mais sobre a prepotente autora deste humilde blog, caro leitor.

Navegando pelo Iutubiu encontrei umas coisas raríssimas! Umas coisas velhas pra chuchu! Ao mesmo tempo tão recentes... dancei muito essas músicas nas festas que minha mãe fazia em casa, remotos anos 90 em Guarulhos:

Banda Blanca - Honduras



Americanas secas, americanismos...

Os anos 90 foram marcados por uma forte influência "espanglesa" na música latino-americana.
Muitos guetos dos EUA começaram a fazer suas músicas mitad allá mitad acá, imigrantes e descendentes.

Proyecto Uno - Estados Unidos



Essas músicas faziam grande sucesso nas danceterias de todos os países hispanohablantes, do Sul da Argentina, ao Norte do México.


Elvis Crespo - Colômbia



Clipes mais que horrorosos com músicas que até hoje me fazem sentir las hormiguitas con ganas de bailar.

Tive muito privilégio em aproveitar tanto isso, muita sorte de conhecer e poder devorar/sentir isso tão fortemente.

Juan Luis Guerra - República Dominicana




Juan Luis Guerra ainda faz shows pelo mundo, em Paris o show dele lotou.

Depois de terminarem de rir das caras dos tipos, podem se deliciar de dançar com a senhorita mais próxima.

La Negra que me perdoe, mas hoje o post é pra eles.



Cara, como essas merdas são boas. Saudades dos meus anos 90.



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A W A K E


o progresso mata há tanto tempo que hoje eu acordei com a cara pro passado,
de costas pro futuro, esqueci que estava deitada o tempo todo

no dia de hoje.*




Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…

e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.


Poema nos meus 43 anos / Bukowski


*trecho de "O Mal-Ser na Civilização", da autora.

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eu também vou reclamar:


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eu também vou reclamar:


let's put a smile on that face


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catalisador da degeneração social, da inversão de papéis, imprevisível e mortal, cachorro louco e livre.


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eu também vou reclamar:



Já abraçou seu cãozinho hoje?





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eu também vou reclamar:


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rascoño neologistico

Com muita derrepencia derrapara na janela assustando a todos:
- Cinquenta anos depois, que descrepância! - descrevera Vera sem as tremas.
Havera perdido, perdera nas trevas, que traça prefântica!
Como pudera, pôde desaparecer, e assim desapareceu-se assim no meio da trama,
sumiu-se.

Depois disso Vera nunca mais guardou a barraquinha de crepes.


Clara Cuevas

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niños preguntones





"Enseñen a los niños a ser preguntones para que pidiendo el porqué de lo que se les manda a hacer se acostumbren a obedecer a la razón, no a la autoridad, como los limitados, ni a la costumbre, como los estúpidos*".
Simón Rodriguez

"Qualquer pessoa que se recuse a assumir a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças e é preciso proibi-la de tomar parte em sua educação "
Hanna Arendt


*“Ensinem as crianças a serem curiosas, para que no momento em que elas perguntem por que estão sendo obrigadas a fazer algo, se acostumem a obedecer pela razão e não pela autoridade como fazem os limitados ou pelo costume como fazem os estúpidos.”


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eu também vou reclamar:


Mictlán



A morte é realmente "a continuação do mundo sem mim", e "o futuro realmente me preocupa, já que é o lugar onde pretendo passar o resto da vida".

Sábias palavras que guardam um pedacinho de tudo.

Quando comecei a me interessar pela cultura pré-colombiana, a morte foi uma das coisas que me chamou muito a atenção.
Sua presença pintada nos muros, sua forma colorida, seu vazio tão festeiro.
Morte e fecundação desenhados na cultura. O início da vida, o fim da vida.
Para a cultura Maia e Asteca a alma passaria (depois de morta) por uma série de patamares de existência. Cinco vidas para chegar na morte plena: o nada.
E essa é a idéia fascinante, e para mim, metáfora da própria vida.
Concordo com a lei do carbono e acredito que nossa máquina desligue um dia, como recentemente aconteceu com um amigo meu.
É bastante diferente imaginar e ver morto alguém conhecido ou próximo, afinal estamos sempre tão vivos o tempo todo (ou sobrevivendo) que a ausência de vida espanta, mesmo acostumados com a morte sensacionalista de todos os dias. Mas como espanta. Fantástica.
Não sei como ela chegou pra ele, luz, túnel, Jesus, dor, deus, puta merda, pode até ter vindo em forma de puta que pariu. Nem idéia. Penso na última palavra que passou pela sua cabeça, última frase, último suspiro.
O que me encanta na morte é que ela me faz pensar insonemente na vida. Não como "não vivemos, não damos valor para a vida", mas na própria vida, como substância, mecânica, substantivo próprio, tão definido.
Acreditar em algo além é muito útil, quem dera eu poder falar para os familiares dele "Ele está num lugar melhor", "Ele está olhando por nós", sem crenças fico sem palavras. Não sabia o que dizer no velório, tudo o que sairia de mais sincero de mim seria um abraço forte dizendo "FORÇA", mas essa força não me saiu. Quando vi seus pais ali desamparados, desesperados, loucos, aos prantos, enfraqueci e não pude passar nada, dei um abraço tentando dizer qualquer coisa, mas tudo que me saiu foram lágrimas e um "força" bastante trêmulo.
É muito triste, morrer jovem, próspero, com uma vida mesmo, muito vida, intensa esvaida na frente de um caminhão tanque.

Trash né, mas o que me encanta na morte é a vida e o que desampara é a saudade mesmo.

É a única vez em que a palavra nunca é nunca mesmo. Nunca tanta vida foi tão nada.

- O que amo em ti é a vida.

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"El siguiente lugar para los muertos era el "Chichihuacuahco", allí iban los niños muertos que se alimentaban de gotitas de leche que brotaba de un frondoso árbol. Estos niños tenían la posibilidad de volver al mundo en otra era. El tercer lugar era el "Tlalócan", donde iban los muertos de accidentes o de enfermedades que demuestren signos evidentes de falta de vitalidad. Esta era la mansión de la Luna y tenía las condiciones ideales ya que era agradable, fresco y ameno. Estaba ligado con el agua y la luz que son la fuente de la vida en este planeta.

El último lugar era en verdad terrible y estaba para quienes no habían alcanzado la muerte en las condiciones de los ámbitos anteriores. Era la nada, la muerte sin consecuencias ni trascendencias, producto de una vida estéril. Esta zona era el "Mictlán" gobernada por dos señores que obligaban a los residentes a hacer un largo y tortuoso camino para llegar finalmente a convertirse en nada. No importaban las distinciones sociales o de riqueza, cualquiera podía caer en el Mictlán. Existen restos arqueológicos en un pueblo llamado Mitla (por Mictlán) donde se tejen extrañas historias. Las construcciones poseen una belleza poco común con pinturas, grecas, pasadizos alternativos, etc.

En esta riquísima visión de la muerte se distinguen una serie de valores éticos y filosóficos que debieron sustentarla. Cualquiera que quisiera vivir plenamente sabía que debía aspirar a llegar al lugar prometido para los guerreros de la batalla florida. Por supuesto que los guerreros tenían su lugar asegurado si se brindaban con esfuerzo para enfrentar al enemigo. Pero también el esfuerzo podía ser entendido de otra forma. El esfuerzo cotidiano de la vida terrena, brindando a su grupo social los frutos de su sacrificio periódico podían significar también una batalla florida.

Séjourné nos aclara la idea filosófica de la muerte unida con El dios Quetzalcoatl: ..."Se trata en realidad del soplo espiritual que permite los nacimientos interiores: Es el símbolo del viento que arrastra las leyes que someten a la materia (por ello Quetzalcoatl es una serpiente emplumada): él aproxima y reconcilia los opuestos; convierte la muerte en verdadera vida y hace brotar una realidad prodigiosa del opaco dominio cotidiano"..."por otra parte uno de los atributos constantes de Quetzalcoatl es una tibia florecida, y en el códice Magliabecchi ( pag. 16) está declarado ´ Hijo de otro dios que llaman Mitlantecuhtli, que es el señor del lugar de los muertos ´, alusiones patentes a la doctrina que enseña que la materia no puede ser salvada más que por su propia muerte."

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por uma vida menos ordinária...





Clara Cuevas


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SEIS ANOS DE BLOG



e faz tempo que eu
não escrevo um poema

que pena.



Clara Cuevas

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11 de septiembre de 1973





¡El pueblo unido jamás será vencido!

Allende, presidente,
te vengo a saludar,
tu presencia está viva
de la montaña al mar.
Eterna en la memoria
de Chile que sufrió
por la rastrera infamia
un general traidor,
cobarde y asesino,
así lo llamo yo.

Allende, presidente,
usted fue la esperanza,
de un mundo de justicia,
sin odios ni venganza.
Allende, compañero,
usted que resistió,
la metralla en la mano,
tenía la razón,
la dignidad era parte
de vuestro corazón.
¿Quién ordenó la muerte,
Kissinger o Nixon?
Consumaron el crimen,
horror y delación,
la CIA, los fascistas,
pagados en Washington.
El pueblo desarmado
no tuvo protección,
cae la noche en Chile,
torturas y prisión.

Allende, combatiente,
maestro presidente,
los hijos de la patria
hoy te dicen ”presente”.
La luz de tu memoria
lealtad, valentía
quedaron en la historia
como una profecía.
La justicia demora
pero al fin llega un día,
presidente chileno,
hermano, compañero,
volvemos a cantar,
contigo venceremos.

¡Córrele, córrele, córrele, córrela,
córrele, corre, que te van a matar!


Allende presidente /Ángel Parra - Mauro di Domenico

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eu também vou reclamar:


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Tragedia Dell’Arte







O Improviso Improvável

Todas as notícias dos jornais que leio todos os dias sempre me fazem querer acabar logo com esse teatro de sadismo e ignorância:

- Pessoal, vamos tirar o capuz, acabou a peça! Vítimas e carrascos, tirem suas fantasias; ladrões e estupradores, podem guardar suas ferramentas; pobres e infelizes, podem tirar a maquiagem; palhaços, borrem estas caras de triste; loucos, atenção, saiam já do cenário, rasguem tudo mas saiam logo; romeus e julietas, ressucitem-se; Pedro, João e o escambau, tirem o infeliz da cruz; mães e avós, parem de mimar seus filhos e por favor, parem de chorar - esta peça definivamente não é para as mães - por favor; crianças, podem pegar os livros, guardem as apostilas; os índios já podem tirar seu terno e gravata e os engravatados também, favor tirar o terno rapidamente e despir-se; queimem todo o dinheiro que estiver perdido por aí, moedas, cheques, notas promissórias, premissas e as promessas todas.
Por favor, não decorem nenhuma palavra, quero música, a música, simplesmente música!
Vamos tentar de novo. Adão, volta pra cochia, vamos começar com a Lilith desta vez.


Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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eu também vou reclamar:


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Amanece en los carros de basura,
empiezan a salir los ciegos,
el ministerio abre sus puertas.
Los amantes rendidos se miran y se tocan
una vez más antes de oler el día.

Ya están vestidos, ya se van por la calle.
Y es sólo entonces
cuando están muertos, cuando están vestidos,
que la ciudad los recupera hipócrita
y les impone los deberes cotidianos.

(Julio Cortazar, del poema Los Amantes)


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eu também vou reclamar:


Eu



trabalho num lugar onde existe uma porta. Esta porta, simples como qualquer outra, está acessível a todos que apareçam.
Esta porta, desde quando comecei a trabalhar aqui estava sempre aberta, é a porta da recepção.
Porém o frio Curitibólico de julho nos obrigou a encostar a porta pra deixar o ambiente um pouco mais quentinho.
Mas a porta permaneceu aberta, destrancada. Mas sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre,sempre, sempre, sempre,sempre, sempre, sempre, apertam a campainha, batem na porta ou simplesmente vão embora porque a porta parece trancada.
A porta sempre esteve aberta, e pra evitar maiores equívocos imprimi um papel com a logomarca da escola escrito bem grande, plastificado e bonito "ABIERTO! BIENVENIDO!".

Mas continuam dando com a cara na porta. Ficam minutos esperando para que eu abra uma porta que sempre esteve aberta.
Eu sempre que puxo a maçaneta olho pra cara do cidadão e digo - estava aberta! - com um sorriso no rosto é claro.

Gente, tenhamos coragem, vamos todos dar um empurrãozinho e tentar abrir as portas que aparecem na nossa vida.

Podem bater palma, gritar, apertar a campainha, ligar, arrombar a porta.

Mas às vezes é mais fácil verificar se ela está simplesmente aberta.





Obrigada, foi apenas um desabafo pessoal.

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bu kows ki


Intrisecamente, o que torna tudo nojento é a morbidez do relacionamento familiar, o que abrange casamento, intercâmbio de poder e auxílio, e isso, feito ferida, uma lepra, transforma-se então: no vizinho de porta, na redondeza, no bairro, na cidade, no munícipio, no estado, no país...em todo mundo, um agarrado ao cu do outro, na colméia da sobrevivência pela imbecilidade de um medo animalístico.


Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.


Tive uma existência estranha e confusa, em grande parte horrível, baixaria total. Mas acho que foi a forma com que me arrastei pela merda que fez a diferença. Hoje, olhando para trás, acho que exibi certa compostura e classe, independentemente do que estava acontecendo.


Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim.
Há o mundo continuando a fazer o que faz.
E eu não estou lá. Muito estranho. Penso
no caminhão do lixo passando e levando o lixo
e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim
e eu não estou lá para pegá-lo. Impossível.
E pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser
verdadeiramente descoberto. E todos aqueles
que tinham medo de mim ou me odiavam
vão subitamente me aceitar. Minhas palavras
vão estar em todos os lugares. Vão se formar
clubes e sociedades. Será nojento.
Será feito um filme sobre a minha vida.
Me farão muito mais corajoso e talentoso do que
sou. Muito mais. Será suficiente para fazer
os deuses vomitarem. A raça humana exagera
em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.




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- Corredor redondo não tem esquina, tá me entendendo?

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SOCORRO, ELIS REGINA!


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-I- (Brasil 06/05/02, 18h16).

Em meados de outubro de 99, pouco antes do Dia dos Mortos, acabei Violentus Violatus. Ou melhor, VV acabou comigo.

Tinha vivido tanto tempo tentando compreender a violência que me asfixia por todos os lados, na minha rua, na minha cidade, no meu país, no mundo inteiro. Perplexo diante da bestialidade humana, da dos meninos que torturam seus coleguinhas de classe, a dos mesmos meninos que, já grandes, odeiam, humilham, despojam, roubam, desdenham, violam, manipulam mercados, declaram guerras, se despedaçam em nome do futebol, matam em nome de suas religiões. Anos esquadrinhando meus medos (o cheiro do medo), minha indignação, meus cuidados; sonhando pesadelos de podridão, latidos de mando, uivos e gemidos, o som de golpes assustadores, ritos de dor, feridas e cicatrizes, dor, vômitos, roupas rasgadas, lascas de ossos, vísceras esverdeadas, balaços e explosões, chiados de rodas: as vozes da intolerância, da impaciência, da ignorância, da maldade.

Anos vendo crescer minha própria raiva.

Buscava aquela cara da violência que pudera eu ter avistar para exorcizar da minha vida. Nunca me perguntei por que pensava que seria possível fazê-lo por meio da arte.

Durante muito tempo meu estúdio foi vitrine de uma fúria demencial, contida: mesas cobertas de recortes fotográficos de jornais amarelos como o soro, polaróides manuseadas, tiradas por policiais militares, aberrantes vídeos norte-americanos reunindo violações, estupros, crianças mutiladas, mulheres esquartejadas, atropelados... fotos de corredores de bolsas e coronéis... Meus esboços e desenhos jorraram o odor ferroso e as cores do sangue - fresco, coagulado, seco --, os pêlos e os sinais do que eu tinha reunido e organizado para... nunca me perguntei por que pensava que a arte serviria para algo.

FELIPE EHRENBERG .


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Era uma vez na Disney...


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Garotas fazem pacto para engravidar em escola dos EUA

20/06/2008 - Agência Estado

O diretor da Gloucester High School, Joseph Sullivan, relatou o caso à revista "Time".

Segundo Sullivan, as garotas confessaram o pacto depois de a escola ter começado a investigar um aumento repentino no número de alunas grávidas. A instituição teve 17 grávidas durante as férias de verão, número bastante superior à média anual de quatro até então.

O diretor contou que quase a metade das meninas, nenhuma delas com menos de 16 anos, estava envolvida no trato. Ele lembrou que as meninas iam à enfermaria da escola para fazer testes de gravidez e "pareciam mais tristes quando não estavam grávidas do que quando estavam".

Algumas das garotas reagiram à notícia com cumprimentos às amigas e planos para um chá de bebê. Sullivan contou na matéria da Time, publicada na quarta-feira, que um dos pais era "um garoto de 24 anos sem lugar para morar".

O superintendente Christopher Farmer confirmou o acordo à WBZ-TV Segundo ele, as garotas tinham "um acordo para engravidar". Farmer avaliou que elas eram "garotas com falta de auto-estima e uma carência de amor em suas vidas".

O grande aumento no número de grávidas abalou a cidade costeira localizada 48 quilômetros ao norte de Boston. No mês passado, dois funcionários da enfermaria da escola se demitiram, em protesto contra a recusa do hospital local a distribuir em segredo contraceptivos. O hospital administra o dinheiro estadual que sustenta o local de atendimento na escola.

As primeiras notícias sobre o caso surgiram no jornal local Gloucester Daily Times, em março. Na ocasião, o diretor Sullivan contou que havia recebido a informação sobre o pacto de outros estudantes.

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Under Pressure







[...]

It's the terror of knowing
What this world is about
Watching some good friends
Screaming 'Let me out'
Pray tomorrow - gets me higher high high
Pressure on people - people on streets
Turned away from it all like a blind man
Sat on a fence but it don't work
Keep coming up with love
but it's so slashed and torn

Why - why - why ?
Love love love love love

Insanity laughs under pressure we're cracking
Can't we give ourselves one more chance
Why can't we give love that one more chance?
Why can't we give love...?
give love give love give love give love give love give love give love give love...
'Cause love's such an old fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And loves dares you to change our way of
Caring about ourselves
This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure
Under pressure
Pressure

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Ao vencedor, as baratas!






Os primeiros indícios históricos foram feitos em rochas... os últimos serão em cascas... de baratas.
No trajeto caótico da nossa infantil existência existe o fim, o fim já existe.
O fim sempre esteve por aí, fazendo uma surpresinha, não é?

Parece-me que na realidade, não haverá vencedor, não há, nunca houve.
Em geral, os grandes vencedores foram sempre uns perdedores de merda.
As vitórias nunca foram conquistas e as consequências nunca muito benditas.

As baratas sobrarão... caro futurista, futurólogo, historiador do futuro, atenção!
Para um possível registro das existências antigas, pré-baratun, pós-humanun, olho nas baratas!
Estas sim, serão salvas frente ao humanocalipse, suas cascas invencíveis são nossa salvação!

Escreva seus registros nas baratas mais próximas.
Escreva suas virtudes para referências póstumas.
Escreva suas derrotas nos lixos, pois as baratas hão de digerir!

Quem sabe depois de milênios alguma coisa consiga compreender seu dialeto.

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- Que país derrotista o nosso! Que cultura derrotista a nossa! Lá eles têm outra cultura...como eles são vitoriosos! Como as crianças de lá já nascem vitoriosas!

Mulher aleatória gritando para ninguém, ônibus Jardim Social/Batel, Curitiba, abril de 2008.


Um poema baratówski:



A genialidade da multidão
Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum.
Para suprir qualquer exército em qualquer dia.
E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele.
E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor
E o melhor na guerra, finalmente, são aqueles que pregam paz.
Aqueles que pregam deus
Precisam de deus
Aqueles que pregam paz
Não têm paz.
Aqueles que pregam amor
Não têm amor
Cuidado com os pregadores
Cuidados com os sabedores.
Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros
Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela
Cuidado com aqueles que elogiam fácil
Porque eles precisam de elogios de volta
Cuidado com aqueles que censuram fácil:
Eles têm medo daquilo que não conhecem
Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões;
Eles não são nada sozinhos
Cuidado com o homem comum
Com a mulher comum cuidado com o amor deles
O amor deles é comum, procura o comum.
Mas há genialidade em seu ódio
Há bastante genialidade em seu
Ódio para matar você, para matar qualquer um.
Sem esperar solidão
Sem entender solidão
Eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos
Incapazes de criar arte eles não irão compreender arte
Eles vão considerar sua falha como criadores
Apenas como uma falha do mundo
Incapazes de amar completamente
Eles vão acreditar que seu amor é incompleto
E eles vão odiar você
E seu ódio será perfeito
Como um diamante brilhante
Como uma faca
Como uma montanha
Como um tigre
Como cicuta
Sua mais fina arte


Charles Bukowski


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NOSSA DEMOCRACIA EM RISCO




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Pedofilia virtual não pode mas seu túmulo é um ótimo lugar pra um ensaio fotográfico, principalmente se você morreu sofrendo... ao lado de 70 mil.
1,7 bilhão de habitantes, 70 mil mortos, 3 minutos de silêncio. Gente, a dor é música! É arte!
Adoro um cenário assim, terceiromundista, dor, fome, caos, sofrimento... passa um sentimento pra fotografia...
Expõe o humano natural, a sensualidade da fome, a beleza da apatia, da anemia... arte?

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Fotos de meninas nuas causam polêmica na Austrália





O clima agradável de simpatia entre o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, e a comunidade artística do país, especialmente a atriz de Hollywood Cate Blanchett, tropeçou num obstáculo na forma de uma exposição de fotos de meninas nuas. Blanchett e outras 42 figuras de destaque do mundo das artes australianas assinaram uma carta aberta em que criticam Rudd por ter descrito como "revoltantes" as fotos feitas pelo artista Bill Henson de crianças de 12 e 13 anos nuas.

Na semana passada a polícia fechou a exposição de Henson numa galeria de arte de Sydney e confiscou 20 de suas fotos, como parte de uma investigação que vai decidir se o artista será alvo de uma acusação criminal. A operação policial desencadeou na Austrália uma discussão acirrada sobre o que é arte e o que é pornografia, e a comunidade artística, que deu seu apoio público ao Partido Trabalhista de Rudd antes de sua vitória eleitoral em novembro, criticou o premiê por ser favorável à censura nas artes.

"O processo judicial que pode ser movido contra um de nossos artistas mais respeitados não é o caminho para se construir uma Austrália Criativa e prejudica profundamente nossa reputação cultural", disse a carta aberta endereçada ao ministro do Ambiente australiano e ao premiê do Estado de Nova Gales do Sul. "Devemos recordar que um critério importante de liberdade social, em tempos passados ou em regimes repressivos em outras partes do mundo, é o tratamento dado pelo Estado à arte e aos artistas." A carta é assinada por Blanchett, a quem Rudd visitou no hospital dias após o nascimento de seu segundo filho, em abril, e a quem o premiê convidou a vir a Canberra para participar de sua conferência nacional 2020 sobre o futuro da Austrália.

A lista de signatários inclui o escritor sul-africano premiado com o Nobel, John Coetzee. "Queremos deixar claro que nenhum de nós endossa o abuso de crianças, de qualquer maneira," disseram os signatários. "O trabalho de Henson não tem nada a ver com pornografia infantil e é arte com toda certeza, segundo a avaliação de alguns dos críticos e curadores mais respeitados do mundo."

A comunidade artística pediu a Rudd que repensasse seus comentários sobre o trabalho de Henson, mas o premiê não mudou sua postura. "Manifestei minha reação, a confirmo, não peço desculpas por ela e não a modificarei", disse Rudd a jornalistas em Canberra na quarta-feira. "Acho imprescindível que as crianças tenham inocência em sua infância."

A carta aberta pediu ao ministro das Artes, Peter Garrett, ex-vocalista da banda de rock australiana Midnight Oil, que "se manifestasse em defesa dos artistas, contra a tendência da invasão da censura". "Já estamos vendo sinais preocupantes de autocensura preventiva por parte de algumas galerias", diz a carta aberta. "Não é isso que caracteriza uma democracia aberta, nem uma sociedade decente e civilizada."
Fonte:G1



Revista faz fotos sensuais em destroços na China



O governo chinês fechou uma revista que publicou um ensaio de fotos de modelos seminuas em meio aos destroços do terremoto que atingiu a província de Sichuan e deixou mais de 65 mil mortos.
Na edição de 19 de maio, a revista The New Travel Weekly publicou um editorial de moda exibindo modelos em lingerie com bandagens ensangüentadas posando no meio dos prédios demolidos pelo terremoto.

A publicação circulava na cidade de Chongqing, vizinha da província de Sichuan, que foi a área mais afetada.

As fotos chegaram às bancas na segunda-feira, 18 de maio, primeiro dos três dias de luto oficial anunciado pelo governo.




As modelos apareciam semi-nuas

O conteúdo enfureceu boa parte da opinião pública, que manifestou sua crítica em fóruns de discussão na internet e em editoriais de jornais.

Num texto opinativo, o diário Shanghai Daily acusou a revista de se aproveitar da tragédia para fazer uma "jogada de vendas blasfemadora, imoral e intolerável".

O departamento local do governo de Chongqing, que supervisiona a imprensa, considerou o material extremamente ofensivo e decidiu fechar a revista para "retificações" na quarta-feira, 21 de maio.

As autoridades disseram que a publicação "violava severamente a disciplina de propaganda" e ia contra a "moral social".

Além disso, segundo o governo, as fotografias tinham uma influência "extremamente má" sobre a sociedade.

A revista colocou uma nota no seu site na internet se desculpando pela gafe. "Nossos mais sinceros pedidos de desculpas ao povo", dizia o texto.

Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, a empresa que administra a publicação demitiu o diretor, o editor-chefe e o vice-editor chefe da publicação.

O governo afirmou que poderá permitir que a revista volte a operar no futuro, argumentando que a redação inteira não deveria ser culpada pelo erro editorial de apenas alguns profissionais da chefia.

Fonte:BBC Brasil

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Falha técnica, arte, censura, gafe, liberdade de expressão... lembram do vira-lata exposto numa galeria de arte para morrer de fome?
Morreu! Pois é, pois é... lindo!


Clara Cuevas


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Eu fui feliz até os seis anos...
















mais em www.malvados.com.br


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MALVADOS







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Introducción
Cómo haré para tomarte en mis adentros, guitarra... Cómo haré para que sientas mi torpe amor, mis ganas de sonarte entera y mía... Cómo se toca tu carne de aire, tu oloroso tacto, tu corazón sin hambre, tu silencio en el puente, tu cuerda quinta, tu bordón macho y oscuro, tus parientes cantores, tus tres almas, conversadoras como niñas... Cómo se puede amarte sin dolor, sin apuro, sin testigos, sin manos que te ofendan... Cómo traspasarte mis hombres y mujeres bien queridos, guitarra; mis amores ajenos, mi certeza de amarte como pocos... Cómo entregarte todos esos nombres y esa sangre, sin inundar tu corazón de sombras, de temblores y muerte, de ceniza, de soledad y rabia, de silencio, de lágrimas idiotas...

Allanamiento
Hoy anduvo la muerte buscando entre mis libros alguna cosa... Hoy por la tarde anduvo, entre papeles, averiguando cómo he sido, cómo ha sido mi vida, cuánto tiempo perdí, cómo escribía cuando había verduleros que venían de las quintas, cuando tenía dos novias, un lindo jopo, dos pares de zapatos, cuando no había televisión, ese mundo a los pies, violento, imbécil, abrumador, esa novela canallesca escrita por un loco... Hoy anduvo la muerte entre mis libros buscando mi pasado, buscando los veranos del 40, los muchachitos bajo la manguera, las siestas clandestinas, los plátanos del barrio, asesinados, tallados en el alma... Hoy anduvo la muerte revisando mi abono del tranvía, mis amigos, sus nombres, las noches del Café Montevideo, las encomiendas por la Onda con olor a estofado, revisando a mi padre, su Berreta, su Baldomir, revisando a mi madre, su hemiplejia, al Uruguay batllista, a Arístides querido, a mis anarcos queridos bajo bandera, bajo mortaja, bajo vinos y versos interminables... Hoy anduvo la muerte revisando los ruidos del teléfono, distintos bajo los dedos índices, las fotos, el termómetro, los muertos y los vivos, los pálidos fantasmas que me habitan, sus pies y manos múltiples, sus ojos y sus dientes, bajo sospecha de subversión... Y no halló nada... No pudo hallar a Batlle, ni a mi padre, ni a mi madre, ni a Marx, ni a Arístides, ni a Lenin, ni al Príncipe Kropotkin, ni al Uruguay ni a nadie... ni a los muertos Fernández más recientes... A mí tampoco me encontró... Yo había tomado un ómnibus al Cerro e iba sentado al lado de la vida... Pasé frente al Nocturno y la vida había pintado unos carteles... Pregunté en una esquina por la hora, y en la bolsa del hombre que me dijo la hora iba la vida, junto con su almuerzo... Hoy dejaré las puertas y las ventanas de mi casa abiertas... y la noche entrará por todas las ventanas de mi casa, por todas las ventanas de todo el barrio, por todas las ventanas de todos los cuarteles y de todas las cárceles, por todas las ventanas de los hospitales... la noche entrará, cabeceando, saltará para adentro, sombra a sombra a la luz del farol... y se echará en el piso como un perro... y aguardará hasta la madrugada... Hoy... dejaré las puertas y las ventanas de mi casa, abiertas, para siempre...

La casa
... Mi corazón está mejor sitiado que mi casa... mi casa, más cercada que mi barrio... mi barrio, cercado por mi Pueblo... En mi barrio vive el Presidente, cercado por un muro casi derrumbado...

Uruguay for export
Temblando, con el frontal partido por el marrón, por el marronero, cae sobre sus costillas, pesada como un mundo, la res... Cae con estrépito, de bruces sobre el cemento... balando al descuajarse su osamenta, ya sólo un pobre costillar enorme, ya sólo un pobre cuero y sangre, media tonelada de huesos astillados, hincados en toda esa vida temblorosa y atónita... Ahí se va alzando, como un pesado pingajo, atrapada por la pata por un gancho que le salta arriba, que la alza por un ojal abierto en el garrón de un cuchillazo en plena estupidez sentimental, en plena media tonelada de monstruoso dolor, incomprensible, absurdo, balando, plañidera y tonta, como un escarabajo que no piensa, mientras medita lentamente por qué duele tanto y por qué duele qué parte de quién que es ella misma, la res, abierta al descuartizamiento atroz por todas partes, que nunca habían dolido y que eran tantas partes, tan extensas... y que pastando nunca habían dolido... haciendo leche, esperma, músculos, crin y cuero y cornamenta viva, que eran la vida misma manando hacia sus adentros, vibrando tiernamente como un sol cálido hacia sus adentros... y nunca habían dolido... Ya está colgada... Las patas delanteras se enderezan, se endurecen y avanzan hacia adelante y hacia arriba, implorantes y fatalmente rígidas, rematadas en cortas pezuñas que hace un instante amasaban el barro del corral, el estiércol de otros cien balidos, dinosaurios del siglo de las máquinas, nacidos para morir de un marronazo... Ahora ya es carne azul colgada en la heladera: "Uruguay for export"... Aquella res, que murió de un marronazo, cayó y tembló todo el frigorífico... Aquella otra res que recibió el marronazo en plena frente, de dos dedos de espesor, mientras entraba al tubo desconfiando porque allí no había pasto, alcanzó a comprender que había otra res delante, balando, que ya se la llevaba el gancho... y cayó detrás, también, y el cemento tembló bajo esos huesos... Aquella otra res, que esquivó el marronazo y que cayó también, con un ojo reventado y una guampa partida, deshecha, también cayó y tembló la tierra, tembló el marrón, tembló el marronero; la res, murió temblando de dolor y de miedo... de un marronazo en plena frente "for export" del Uruguay...

Flor show (por vals)
En la punta del agua... una flor blanca, luminosa, de quince dólares, se hace chispa, se abulta, se diluye, chorrea entre otras flores más pequeñas, llora, se agita, la catapulta el chorro de agua y sube como bola en el aire... Está naciendo siempre, mientras el agua canta en esa fuente de la boîte... Entre aplausitos, al compás de la orquesta, blanda flor blanca, acuosa, nostalgiosa en el aire... subida en los aplausos como espitada, hendida, empitonada... gime y llora en la noche, tira estrellas bailando bajo el humo, renace, llora por el chorro azul-blanco de la fuente como si fuera planta que la cría -y que no es-... y sin embargo, así seguirá abriéndose, muriendo, hinchándose y flotando, mientras duren la noche, su belleza infantil de ingeniería, su blando corazón bajo el foquillo fijo y lechoso... el gringo, el chorro de agua a precio, el aire de importación, esas hembras, el mozo, esos señores...

Mis alas
... Hace un buen rato ya que doy trabajo y vengo acostumbrándome al desuso de mi alma, a la razón del enemigo, a mis sesenta cigarrillos diarios, a las malas costumbres de mis canciones, que de algún modo siempre fueron nuestras, vos lo sabés, Guitarra Negra... Hoy reanudo en un cómico enderezo la hora de ayer parada en su nostalgia… Me hacen sufrir las alas que me puse para volar, mas grito y se alzan, gimo y me acompañan, río y baten de a dos, como que están amándose y se odian sin embargo mis dos alas... se odian, se enderezan, se hacen amigas mías para llevarme por todas partes: allá está la canción, aquí la nada... más allá el Pueblo y más acá el Amor... Pero el Pueblo está también más acá... y antes estaba allá también, detrás del Pueblo el Pueblo... Hemos viajado por todos mis caprichos y el Pueblo osando (sic) el piso, amándose con alas como las mías... odiando su destino, odiándome y amándome sin alas, con millones de pies, con manos y cabezas y lenguas... y sus mil bocas dicen: "ahora, la suerte ya está echada..."

La mariposa
La mariposa viene hacia mí en la calle, en el aire húmedo, por el aire húmedo bailando, por el aire agobiante, ominoso, bailando en el aire caliente... y yo vi que no era a mí a quien buscaba sino a la muerte... y que no buscaba la muerte también vi, porque no era mariposa de la ciudad de hierro, ni nacida para eso... sino que era mariposa nada más, en la ciudad, presa y ya muerta de antemano, fatalmente... buscando en ese bailar loco y frágil un ala, un grano, una pizca de polen en el cemento... Porque la mariposa nace y no aprende nada hasta que muere en cualquier sitio, herida de muerte por su semana justa, por su tiempo preciso, por su sorbito de vida ya bebida... Eso no es tan triste... triste es ver su cadena de huevos en el hollín, depositados junto a un río de aceite, a la sombra de las altas paredes de cemento... Su cadena de huevos de seda...

Hago falta
Hago falta... yo siento que la vida se agita nerviosa si no comparezco, si no estoy... Siento que hay un sitio para mí en la fila, que se ve ese vacío, que hay una respiración que falta, que defraudo una espera... Siento la tristeza o la ira inexpresada del compañero, el amor del que me aguarda lastimado... falta mi cara en la gráfica del Pueblo, mi voz en la consigna, en el canto, en la pasión de andar, mis piernas en la marcha, mis zapatos hollando el polvo... los ojos míos en la contemplación del mañana... mis manos en la bandera, en el martillo, en la guitarra, mi lengua en el idioma de todos, el gesto de mi cara en la honda preocupación de mis hermanos.

Exhortación y propósitos
Cómo haré para tomarte en mis adentros, guitarra, guitarra negra... Dice Enrique, mi hermano, que hay cierto perro hundido que se lame mansamente y nos lame, lamiéndose, una herida quieta allá al fondo, sentado en su escalón... Y dice más mi hermano el otro Enrique, en Praga: dice que amarte con certeza, hacerte enteramente hembra, darte lo que de vida tengan mis urgencias, será amar más y más a Jaime; amarlo, más de veras... por su alma, su propio perro mordedor bajo el garrote, el cable, el puñetazo, la bolsa de arpillera, el plantón y el insulto... la olvidada mejilla que no ponen ni él ni nadie a golpear... sino con hambre y Rita y José Luis, por Gerardo y Raúl y Rosa y Sara y Mauricio... y por todos nuestros muertos... Y he sabido, guitarra, que este otro perro que criaste, ladrador, campesino, a veces manso o vigilante, que roe su propio hueso en la penumbra y gruñe... cual casi todo perro popular, vagará por tus anchas veredas, tus milongas sangrantes... hasta morir también... tal vez un día... de soledad y rabia... de ternura... o de algún violento amor; de amor... sin duda.

Alfredo Zitarrosa - Guitarra Negra

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eu também vou reclamar:


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No ônibus, um pobre homem sem dinheiro e sem mulher, escuta sem querer a carapuça que tão bem lhe serviria:


- Pão com bronha, que pobreza!




Entristeceu-se.
Estúpida exclamação, estúpida!



Era com pão com banha, banha.


Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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"Senhoras e Senhores! Vocês já o conhecem pelas manchetes dos jornais! Agora tremam ao ver com seus próprios olhos o mais raro e trágico dos mistérios da natureza! Apresento… O ho-mem co-muum! Fisicamente ridículo, ele possui por outro lado, uma deturpada visão de valores. Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme consciência social e o asqueroso otimismo - é mesmo de dar náuseas, não? O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e sanidade, se for submetido a muita pressão… Ele quebra! Então como ele faz pra viver? Como esse pobre e patético espécime sobrevive ao mundo cruel e irracional de hoje? A triste resposta é… “Não muito bem!” Frente ao inegável fato de que a existência humana é louca, casual e sem finalidade, um em cada oito deles fica piradinho! E quem pode culpá-los? Num mundo psicótico como este… Qualquer outra reação seria loucura!"

- Coringa, em A Piada Mortal

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eu também vou reclamar:


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"Adoro admirar as asiáticas bronzeadas que o Ocidente criou."


*André Dahmer em uma de suas maravilhosas tirinhas.

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eu também vou reclamar:


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Fotos que tirei em minha viagem para São Tomé das Letras, MG, em janeiro de 2008:


Em uma lojinha de artesanato.



Famosa avenida de Nova Iorque.

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eu também vou reclamar:


disparatada




assistindo Aquarius do sensacional musical Hair:



- Caralho, ela canta direto!

- É, agora que ela canta sem parar.
- Não, já passou.
- Não, vai ser agora, ó...
- Não, já passou.
- Não, vai ser agora, ó...
- Ela parou.
- Ela sempre para.

- Não, ó, vai ser agora.
- Já, foi...
- Ela parou! Agora ela tá sempre parando.
- Não, tá chegando.
- Acabou, ué.

- Não, não...
- Põe de novo, ó é lá pro final...
- É agora, ó...
- Não, já foi...
- Não, já passou.

- Ih, parou de novo.
- Ué.
- Põe de novo.


Clara Cuevas, André Malaguini e Cauê Iarto.

eu também vou reclamar:


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Naquela época minha mãe gritava direto, e gritava e gritava e gritava por tudo e com todos.
Gritou correndo atrás do meu pai várias vezes. E sempre empurrando o carrinho comigo, eu preocupado,
ela gritando, assustando meu irmãozinho, Pedro.
Uma vez meu pai virou a esquina fugindo dos gritos dela e ela saiu correndo atrás dele, aos gritos com o carrinho,
xingando deus e o mundo mas meu pai só tinha virado a esquina pra se esconder, fazer surpresa e gracinha pro meu
irmãozinho, Pedro. O Pedrinho também se assustava todos os dias com o Maleco, um cara que cuidava de carros e vivia
na mesma calçada que nós, ele vinha correndo pro nosso canto, com um saco de mercado cheio com restos de comida.
Pegava tudo com a mão e botava com fome na boca, a fome que amedrontava o Maleco ia embora.
Mas o Pedrinho não entendia nada. O jeito voraz do Maleco sempre deixava o Pedrinho assustado.
Na verdade tudo assustava o Pedrinho, é claro. O susto vinha com a descoberta repentina das coisas do mundo,
com a surpresa de tudo.
No meio do centro é natural que o que menos se encontre seja a paz de espírito e o silêncio. Nos semáforos tudo o
que o Pedrinho podia aprender era barulho. Era cinza, sujo, nocivo.
Numa tarde qualquer, minha mãe saiu gritando atrás de um senhor que pegou as balas da mão do Pedrinho e não pagou.
O Pedrinho ficou parado entre os carros assustado com as mãos abertas, observando os movimentos da minha mãe.
Eu estava no final da quadra pegando o trocado do último carro.
O semáforo abriu. Eu gritei pro Pedrinho. Minha mãe parou.
- Mãe, sumiu!
Eu só podia imaginar a cara de susto do Pedrinho quando viu aquele carro enorme indo pra cima dele.
Minha mãe só retomou a voz quando viu o corpo do Pedrinho estirado no chão. Mas mesmo assim o centro não parou,
nem o semáforo, nem nada. Uma multidão de curiosos ficou ao redor do Pedrinho pasmos com cara de assustados.
Ainda bem que o Pedrinho não viu isso, nunca entenderia a própria morte. Se assustaria se visse o próprio corpo jogado ali.
Daquele dia em diante eu me surpreendi menos com as coisas e entendi o desentendimento do Pedrinho sobre o mundo.
Nada nem ninguém fazia o mínimo sentido. Entender pra quê?
Com a chegada do Jonathan, meu segundo irmão, minha mãe continuou gritando. Meu pai fugindo. E eu trabalhando,
mas agora tinha uma nova profissão, não vendia mais balas. Aposto que o Pedrinho não ia entender (pra variar) como eu fazia
aquelas coisas, mas com certeza iria gostar. Agora eu era malabares.


Clara Cuevas


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eu também vou reclamar:


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BUKOWSKI





eu também vou reclamar:


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Eu sou a pátria que lhe esqueceu
O carrasco que lhe torturou
O general que lhe arrancou os olhos
O sangue inocente
De todos os desaparecidos
O choque elétrico e os gritos de
- Parem por favor, isto dói -


Afeganistão - 2005

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eu também vou reclamar:


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cruzeiro do sul


perto e longe
brilha dentro,
intrometida.


eu também vou reclamar:


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- Vai Raúl, acaba com eles!




Raúl Castro

. eu também vou reclamar:


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todo es posible

O país que prende Kevin Kjonaas¹, pede humanitariamente que Raúl Castro solte alguns presos cubanos.
O país que tem e mantém um pedacinho de coersão política na ilha alheia (prisão de Guantánamo) pede libertad.
O país que levou a heroína e o crack pro Iraque pede uma transição limpa com "eleições brancas e seguras".

Com papeizinhos?

O país do bloqueio econômico bebe Cuba Libre.
O país mecenas da Operação Condor² pede "transição democrática na ilha".
O país do Cidadão Kane exige liberdade de imprensa.
O país do Proposition 187³ combate o terrorismo.

Aos tiros mas com amor.






¹ em 2004 juntamente com outros seis ativistas por violarem a lei Animal Enterprise Terrorism Act:
emenda aprovada pelo Congresso dos EUA em 2006 que considera ativistas como terroristas.
² aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul.
³ lei aprovada pelo Congresso dos EUA afim de "proteger" o povo estadunidense da clandestinidade no país,
permite a perseguição de latinoamericanos pela própria população norteamericana.


Imagem: cartaz divulgado no México em 2005 no dia de San Valentín ("Valentine's Day"), dia dos namorados.

Meu bem, no amor e na guerra, nada é impossível.

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eu também vou reclamar:


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Procurar um lar pro cachorrinho que nos encontrou na quinta-feira só fez agravar minha sociopatia. Nada grave,
nada pra ser internada - pena - talvez lá fizesse alguns amigos.
Só quem ama os cachorros que possui sabe o que é. Mas minha preocupação é vista como algo bonitinho:
"minha protetora dos animais". É como quando você começa a questionar as desigualdades sociais e a história e lá vem
o olhar carinhoso e vago: "Tá virando comunista, que bonitinha!".

Enfim, mais uma vez divulgo que o dog precisa de um lar mais do que nunca.
Fizemos um teste entregando ele pra um amigo mas o cachorro que ele já tinha acabou atacando o dog novo (se não bastasse...)
então este amigo nosso nos devolveu e agora o dog (que procura abrigo) está em um veterinário procurando alguém apaixonado
por cães: aquele tipo de gente que não liga pra raça e nem pra beleza canina, que quer dar abrigo pra animais que precisam de abrigo.
Abrigo não quer dizer só dar ração e água, quer dizer carinho, que é o que este dog mais tem a oferecer.

Eu já tive mais de vinte cachorros na minha vida, e é um bom índice pra quem tá pra fazer vinte anos, e não vi um cachorro tão dócil quanto este.
Ele não queria me largar, parecia cansado de ser abandonado, por isso ficou latindo e pulando no nosso carro e em mim, pedindo colo.
Quem conhece a mim e a minha família sabe, já temos cinco cachorros, não podemos ter seis senão vão se matar e eu vou acabar não tendo nenhum.

Aqui vai o recado que enviei pra todos que conheço, solicitando pra que divulguem para aqueles que gostem de cães.

"

PESSOAS DE BOM CORAÇÃO,


Ajudem a achar um lar seguro para este dog. Encontramos este cachorro na noite de 31/01 na Padre Anchieta com a Gastão Câmara
no bairro Champagnat em Curitiba.
Muito carinhoso, ele não desgrudou do nosso carro, pedindo carinho e abrigo.
Pegamos o cachorrinho para dar comida e conseguir um lar, já que temos CINCO cachorros e não podemos ter mais (por enquanto)!

Se você puder abrigar esse cachorrinho ou conhece alguém que cuidaria bem dele favor entrar em contato nos números:
Clara: 96862274 e ou Alice: 96457587

Seu porte é pequeno/médio, macho, seu pêlo é liso, curto e marrom e sua cauda tem a pontinha preta (coisinha mais linda!)
Deve ter aproximadamente 1 ou dois anos, está saudável (não apresenta sarna ou feridas) e precisa de muito CARINHO!
(pois quando chegou em casa não comeu nem bebeu nada, só quis ficar perto da gente!).


AJUDEM A ACHAR UM LAR PARA ESTE CACHORRINHO!

Clara (de Assis) agradece em nome de São Francisco!


*FAVOR REPASSAR ESTE E-MAIL PARA PESSOAS QUE VOCÊ CONHEÇA E QUE POSSAM CUIDAR DELE*

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o dog



Um recado um pouco duro por que me irritei muito com comentários do tipo "ai, vira-lata é feio", "é cachorro de rua?? putz". Me dá pena.
Animais não são enfeites e não são "obras de arte" como parece:

http://elperritovive.blogspot.com

Pois é, botaram um cachorro de rua, faminto, sem água nem nada amarrado numa galeria. Ficou preso ali pra morrer.
E depois vem neguinho achar nossa causa bonitinha.

Pra cada mil filhos da puta desses nasce uma alma iluminada que leva a sério a luta pela vida:

http://www.youtube.com/watch?v=G1Z2CHGS6UE&eurl=

Se não bastasse, Kevin Kjonaas, ativista na luta pela vida animal está preso e quase esquecido. Acabou incomodando algumas
empresas que levaram prejuízo com suas manifestações.

Sim, esse mundo não é para os cães, e lamentavelmente Belchior tem razão uma vez mais:

Deus fez os cães da rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente - é claro! - a pontapés



Não quero ficar aqui fazendo marketing do cachorro por que não faço isso com gente "Adotem esta criança, é de raça ariana,
fala pouco, é bonitinha e vacinada!".
Aqueles que têm amor e gostam de ser amados incondicionalmente sabem do que eu estou falando.
E sabem que não tem amor melhor do que amor de cão.


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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O cemitério é geral
A morte nos faz irmãos
Tu nessa idade e não sabes
Tudo é sertão e cidade
Tudo é cidade e sertão
Campina grande - vereda geral

(...)



Tudo é interior tudo é interior
Tudo é interior tudo é interior
Tudo é interior tudo é interior
Interior interior
Interior interior
Inté a capital inté a capital
Que babiloniou que babiloniou

Belchior - Cemitério


eu também vou reclamar:


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Uma rua, um campo, uma paisagem,

tiram fotos, passam, amam,

voltam e vão.

Estrada nua, um cigarro, viagem,

noite suada, vermelha e fria,

um vazio típico da profissão.


foto: Alessandra Negrini - Revista Playboy, Abril de 2000


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


vai morrer todo o mundo abraçadinho.






- A vida é assim, meu filho, o Dahmer não errou quando disse que a amizade
é medida pelo tempo que o teu amigo demora pra comer tua mulher.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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1959 - Cuba

Arrímese mas pa' ca
aquí donde el sol calienta,
si uste' ya está acostumbrado
a andar dando volteretas
y ningún daño le hará
estar donde las papas queman.

Usted no es na'
ni chicha ni limoná
se la pasa manoseando
caramba zamba su dignidad.

La fiesta ya ha comenzao
y la cosa está que arde
uste' que era el más quedao
se quiere adueñar del baile
total a los olfatillos
no hay olor que se les escape.

Si queremos más fiestoca
primero hay que trabajar
y tendremos pa' toítos
abrigo, pan y amistad
y si usted no está de acuerdo
es cuestión de uste' nomás
la cosa va pa' delante
y no piensa recular.

Ya déjese de patillas
venga a remediar su mal
si aquí debajito 'el poncho
no tengo ningún puñal
y si sigue hociconeando
le vamos a expropiar
las pistolas y la lengua
y toíto lo demás.

Victor Jara - 1970

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eu também vou reclamar:


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vidas breves

Ficou pasma pensando em como os adultos conseguem chegar a tal idade sem viver. A vida devia passar de acordo com as cotas mínimas de felicidade, pensava.
Sentia que aos 6 anos já tinha muita felicidade dentro de si, já tinha conhecido tantos lugares, tinha amado tantas pessoas e continuava a amá-las sem conhecê-las, sem sair de casa, sem precisar de nada.
"Amo como gente grande" dizia e os adultos todos achavam muito bonitinhos seus dizeres sábios e olhinhos brilhantes cor de jabuticaba, lhe davam um beijo e iam trabalhar em suas forcas enquanto ela seguia vivendo e vivendo e vivendo junto com o mundo inteiro que rodava e rodava e dava voltas e andava em círculos como que buscando e perdendo a si mesmo.
Ciranda muito bonita, simples e infantil, às vezes áspera, dura, feia, mas sempre rítmica, vivia ela sempre distrída em dança e música.
Tropeçando numa reflexão qualquer sentiu passar seus 20 anos como se fossem nada, como si fuera un soplo la vida.
Sentiu não viver nada, sentiu o frio do sopro na espinha, sentiu um frio na vida, o tempo então lhe teria feito mais que cosquinhas desta vez, mais que arrepio, o tempo lhe fez um chupão para que se lembrasse sempre. Tímida continuou dançando. Adulta, velha mas sempre viva. Pequena super-nova, não sabia de nada mas sabia.

Clara Cuevas


Foto: Chiapas, México - 2005


eu também vou reclamar:


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dois amantes

Chegaram no bar:
- Garçom, me vê duas tequilas!
Viraram porcamente os dois chotes. Primeiro ele, depois ela. Calor subindo na garganta.
É óbvio que o estômago dela quase arrebentou e ele muito macho segurou firme.
Queda de braço, uma hesitação, um sorriso, um carinho, relaxou, perdeu.
Depois que ela ganhou dele na queda de braço (por que ele deixou) deu uns dois tapas nas costas dele e falou:
- Por que na Rússia é a Sandy que come você!
Riram, amando-se.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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- pós-tudo, mano

Toda geração tem seu sonhadores sonhares, aqueles pesares tão reais de dia que a gente tem certeza que nasceu pra mudar o mundo e acorda com sede de Vingança e de Vendeta e que sabe que os pesadelos são todos naturais, que são verdadeiros obstáculos da oposição para testar nossa maravilhosa vontade indomável. Sim, nós somos os escolhidos.
Toda geração nasce com seus diabinhos de merdas, seus piás de bosta, seus piás de prédio, seus casais sem sal e tão feios - eu vi um hoje no ônibus, gente, o namorado gay e a namorada cega, claro - seus gordos de meia tijela, grandes empresários, grandes catástrofes, suas grandes merdas, grandes percalços, grandes corações de gente sem uma ou duas pernas, de cor preta azul ou amarela, gente com o coração bom que vê um negrinho em Copacabana e se compadece, dá um sanduíche, dá um chinelo, um carinho, uma atenção:
- Ô menino, vem pegar esse trocado aqui.
Ele olhou pro pretinho, abriu a janela, abriu o sinal, perdeu o relógio, levou um tiro, perdeu a vida, e o mundo perdeu mais uma consciência social.
Dias depois em qualquer boteco de qualquer faculdade:
- Não é preconceito, é estatística, as chances de ser negro o bandido que vai atirar em você são de mais de 70% pessoal, é sério, saiu na Veja, é verdade.
- Não, não, não, você está sendo racista e preconceituoso, os negros da favela não têm o que comer, fome não é falta de caráter, mas a necessidade faz o ladrão e...

(segue discussão ridícula, fatídica e muito comum)

Dias e noites com conversas fiadas de gente que acha que acha, que tem as janelas fechadas, portas trancadas, gente que nem pra dizer não pro neguinho malabarista que pede um trocado faminto, gente que faz cara de nada de grande filho da puta surdo e acelera quando o sinal abre, gente que faz campanha de Free Hugs no Leblon, gente que acredita em alguma ligação justa com burguesia e povão, gente que acha que existe equilíbrio, um meio termo, uma linha comum entre nós todos sereses humanoses, comunes, gente que acha que existe um padrão e o que não é padrão é esquerda, é canhoto, é deficiente, gay, estrangeiro, afrodescendente, mulher, apenas diferenti pessuáu.
Minha geração pós-tudo tem a pretensão como todas as outras gerações de ser a geração que está no caminho certo - apesar de toda catátrofe catalogada nas matas, favelas e litorais - de ser a revolução do passado, e todos nós institucionais, lutamos por um mundo melhor com menos diferenças sociais para as nossas crianças oito maneiras de mudar o mundo acredite você pode mas você fode com o mundo e o mundo só mudou para pior e tudo vai piorar e pessoas são repugnantes por natureza na maioria do tempo, em geral quando não estão cantando, dançando ou fazendo amor com a gente. O mundo só fica lindo às vezes por causa da mescalina diária de nossa célula familiar e nosso pãozinho de cada dia e nosso sorriso gratuito pro sol, pra mamãe, pro papai, e por nosso instinto de viver bom dia obrigado amo você amém.
Você nasceu na pior espécie e os piores dos piores são esses pessimistas ridículos que insistem em fazer sua parte surrando a maré sem se vender, que não negociam, estes são os putos chamados de radicais, radicais sem meio termo, chatos que dizem NO!. Radicais livres. Ovelha negras da sociedade hipócrita, cegos pela ideologia que vestem e assumem. Pessimismo realista: Negras si, ovejas jamás.





and merry christmas, gente!


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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de quando me desfraguei

Meu pai não me viu quando me viu, não era eu ali, aquela matéria sem função, na frente dele, aquela coisa que estava mas não estava ali, aquele choro travestido em dentes lindos, eu tinha ficado lá, eu tinha ficado lá com ela, eu tinha me tornado ela e cada quilômetro distante era eu sem mim dividido por mim e ela, e a outra parte dela e a minha e toda parte despedaçada e espalhada pela rota. Planalto, planície, planícia, planaltos eram aqueles lábios beijando meu pescoço, marcando o território que antes de ser espaço ja era dela, e eu ali naquele terreno meio receoso e totalmente entregue estava com medo. Me perdi. Quando cheguei aqui não tinha chegado porque na verdade nunca tinha saído de Brasília e meu pai jamais entenderia. Este não sou eu, papai nunca entenderia - apesar de saber que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço (teoria que já tínhamos derrubado na noite anterior junto com a cama dos pais dela) - ele nunca entenderia que um corpo pode não estar em lugar nenhum. Expirei-me, papai, existiu-me, ela me espalhou. Fragmento, eu era de algo que não poderia ser descrito, nem notado, só sentido ao ver o sorriso dela me perguntando se eu a amava e eu falei tímido que sim, porque todo pedaço é tímido, só os inteiros são presunçosos e dizem não e eu como pedacinho de nada que era só dizia sim sim sim, com um sorriso que era tímido por não ser o sorriso dela. O que não era ela, era nada. Quando decolei pensei em ter visto as mais belas nuvens desse céu brasileiro e teria visto mesmo, se aquele garoto no avião fosse eu. Escrevo em primeira pessoa, mas na verdade sou a segunda, a terceira, a vigésima, depois de deixar toda aquela beleza, de virar um doce qualquer de padaria recheado de saudade e tanta inconformação me restou observar as despedidas no aeroporto quando cheguei em Porto: lágrimas e pedaços tão suspirosos de nós, vós, eles e elas.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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conto da cidade:

[...] e ele garotinho falou que o mundo era muita coisa e o tempo muito demorado. Falei sem pressa mas ele achava o oceano demais pra gente e eu apertei a mão dele e falei vamos mas nem pra escorregar pela América Latina ele quis, nem a do Sul, nem a Jamaica! Viajar pra dentro? Jamais, "escuridão fatal, escuridão fatal " repetia. Nem assim ele teve coragem ou vontade ou coragem de me dizer que não e nem pelo Brasil ou por Curitiba ou por qualquer província, ou bairro ou rua, ele disse que eu era tudo, tudo, a calçada, a fumaça, a poeira, o bairro, mas não dava, não podia, eu era a rua mas que ele não ia, ele tinha medo, gente, tinha medo de gente como eu e eu fiquei criando irritação pela mula empacada e trêmula, aquele garoto tinha medo de mim, eu era a cidade noturna estranha e boêmia, a quente de dia, ocupada e elétrica, disse ele:
- Barulhenta!

Foi o dia que eu larguei ele lá, perdido entre todas as buzinas.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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when I'm good I'm good but when I'm bad I'm better

O ônibus não estava lá essas coisas cheio, mas eu fui em pé mesmo, fiquei olhando pros poemas, pra janela, mas ele encheu e eu olhei aqueles olhos famintos por um lugar pra sentar, cruzes, quase facas e machados na mão, gente correndo, lotando tudo, quando um lugar fica vago ele logo não fica vago novamente, realmente pessoas são realmente estranhas. Bancos preferenciais para pessoas idosas, gestantes, deficientes ou obesas. Sabe quais? Aqueles que você vai usar um dia quando ficar grávida, velho, gordo ou doente. Bela coisa é que nunca senta, se senta já leva uma encarada de todo o mundo: rapaz, chama aquela senhora ali pra sentar. Levantei mas não rosnei. Maldito... senhora, que senhora? Há, ele vai levar uma invertida, aquela mulher nem é lá senhora, nem gorda, logo não-grávida, gata demais pra ser deficiente física. Mental eu já não sei. Somos todos até... né. Olhei pro meu sorriso refletido na janela, sorri mais. Mas a placa é pros físicos... é ... pros deficientes físicos, se penso demais em problemas mentais começo a ter medo de todo o mundo. Gente de todo o tipo já passou por mim. Mas aqui é um ônibus apenas, pessoas seguras, mudas, que não se olham no olho, estranhos, clima de elevador, mas se você, jovem normal, se sentar você será recriminado por todos os olhos. Maldito, me fez levantar, eu tenho que estar feliz por não ser gordo e nem doente, e nem velho morrendo, é um hábito da minha família, agradecer assim a jesus por ser assim do jeito que sou, ser inteiro e íntegro e bonito, saudável, agradecer e sentir pena são hábitos que temos por sermos cristãos, dizia mamãe, lembrei disso, então levantar não é lá algo ruim assim, é isso mesmo, gratidão e caridade. Mas aquele cara vai se foder, a mulher vai se sentir ofendida e se sentiu mesmo, quem mandou não me deixar sentar, filho da puta. O ônibus fica cheio e o lugar vago até que um aleatório se senta, nem velho, nem jovem, nem belo. Um ser, desses que cruzam pela gente todo o dia. Meio sem rosto. Sem perspectiva. Fiquei olhando. O aleatório maldito não incomodou o outro aleatório comum, me encheu porque sou jovem, isso sim, porque sou jovem e bonito... e sei. Eu desci puto do ônibus mas meu brio estava feliz. No final das contas sou um bom garoto... é... e quando homem serei melhor. Tolos, os feios brigam pelo banco que têm, um banco todo especial que têm pra si mas eu terei todos os outros bancos. Sorri o meu melhor sorriso do dia, vou até escrever, pensei, sorri de novo, contei e escrevi.

Clara Cuevas

*baseado na sexta-feira comum com ônibus normal do Cauê


eu também vou reclamar:


- Política! Política! Como se a arte fosse menos importante!






Fechando seu baú com força e acompanhado (expulso) pelos auxiliares de palco, saiu extremamente emputecido, gritando essas palavras com toda fúria por culpa do escárnio mundial, câncer generalizado explícito num pequeno hematoma ali em sua frente.
De fato, o mundo se preocupa demais com seu aspecto institucional, com sua revolução contra instituição/pró-outra-instituição.
No fórum social do Mercosul, como bom fórum (já que estamos na era da valorização “cultural”) fizeram diversas apresentações de grupos folclóricos de todas as partes, de índios a negros.
A peça de Carlos continha uma temática interessante, era apenas ele, vestido de conquistador contando a história da invasão espanhola da América Latina. Com seus bonecos fazia piadas e explicava a história de uma forma muito interessante, desde a exploração negra até o grande amor de uma nativa com um conquistador.
A peça começou antes do intervalo e tinha um tempo já pré-determinado para acabar. Carlos a fazia tranqüilamente quando de repente viu auxiliares e produtores do evento fazendo sinais com as mãos pra ele parar com a peça já que por culpa de má administração interna a peça começou atrasada e tinha que terminar logo, já que políticos importantes estavam aguardando para entrar com suas respectivas peças: o debate sobre o Fundo Monetário Internacional.
Eu percebi desde o início a provocação, mas Carlos, como bom ator, não deu bola e continuou sua peça até que uma hora já não agüentou tantos sinais e perturbações. Jogou no chão seu chapéu e gritou:
- Eu só vou parar em respeito aos meus espectadores que não podem assistir uma peça com tanto incômodo assim. A cultura é importante pra vocês? A CULTURA É REALMENTE IMPORTANTE PRA VOCÊS? Política! Política! Como se a arte fosse menos importante. Eu me retiro... me recuso a ficar no mesmo ambiente que vocês.
E o Carlos foi embora mesmo e eu e mais um grupinho de paraguaios tomando tereré aplaudimos de pé essa atitude tão explícita, esse grito que nós todos meio artistas meio anarquistas temos aqui na garganta. O simples fato de dar importância pra algo tão simples e tão importante.
A palestra sobre o FMI me interessava mas eu já estava cansada por ter passado o dia todo no fórum e entretida com a peça do Carlos que foi interrompida injustamente. A arte é assim, geralmente interrompida, atropelada por algo que o mundo precisa, por algo mais importante pro mundo.
Essa revolta fez a gente aplaudir o Carlos de pé e vaiar os integrantes intelectuais que entraram. Estes integrantes realmente preocupados com as coisas importantes do mundo, com a exploração verdadeira da América Latina, com a intromissão sem justa causa do FMI, com a perturbação estrangeira.

Ficar e ouvir as informações estratégicas sobre a exploração mundial ou ir pra casa e mostrar pra esse povo como a arte é tão importante quanto a política?
Confesso que fiquei na dúvida. Anarquismo libertário ou socialismo institucional? Adivinhem, pois é, eu saí sim, saí porque achei uma falta de respeito com o Carlos, comigo e com todo o mundo que estava hipnotizado por essa coisinha tão pequena e sensacional chamada arte, chamada teatro, dança, música, pintura. Saí pra dar apoio ao Carlos, cara competente que fez o que devia ser feito, saí pra dar as costas pra essa hipocrisia lírica aí, ainda que esquerdista, ainda que pseudo-democrática. Saí porque precisava mostrar que a peça era uma simples peça que precisava ser mostrada, assim como as tentativas de derrubar o FMI. Saí e duas dúzias de gatos pingados saíram comigo. E assim, neste pequeno ato abalamos o pedantismo intelectual presente e diminuímos a tentativa de mostrar a transferência ridícula de poder como solução e forma de democracia. ARTE PRA CIMA!
Sem jeito, pegou o microfone um aleatório importante e começou a falar.
Na saída conheci o representante do movimento GLS de Curitiba, um senhor de bigode, orgulhoso de sua bandeira colorida colocada no ombro, contente me disse que suas filhas têm orgulho dele e que uma até deu entrevista na G Magazine dizendo que "o pai dela é o melhor pai do mundo", um senhor que ia pra casa forte com sua causa desimportante, estava farto de blá blá blá, também estava

farto do lirismo que não é libertação.



Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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5ª Fiesta Latinoamericana - Curitiba



12/10 Parque São Cristovão - Santa Felicidade, a las 10:00

Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colombia, Paraguay, Uruguay, Mexico, Bolívia, Perú, Cuba, Ecuador, República Dominicana y mucho más!

Comidas, músicas, bailes folclóricos, vení nomááá!

Con mucho cariño, te esperamos!

Comunidade do evento:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40028971





só acredito num deus que saiba dançar.

Nietzsche



eu também vou reclamar:


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então eu vou te dizer, pessoas são estranhas mesmo...

esses dias mesmo uma menina veio me reclamar que seu namorado está sendo cantado pela ex dele, mas ela muito madura não liga, apesar de querer quebrar a cara dela, o outro foi trocado pela décima vez, trocado pelos amigos, isto é a guria fica com ele e depois com algum amigo dele, e ele super confortável, não liga, o outro namora há anos e trai a mulher, ela é linda, eles se amam e vivem em pleno amor e sinceridade mas ele trai ela e ela não pode nem saber, se ela também faz eu nem sei mas só estou comentando, o outro come uma come duas e não segura nenhuma, ama todas e nenhuma liga apesar de uma me ligar puta perguntando dele, o outro vem pra cá e finge que não escutou as coisas que eu disse, o outro inventa um amor que eu nunca disse, o outro sustenta um que eu nunca farei, o outro finge não ser mais meu amigo como se a amizade fosse algo além da opção, e o amor o que é? e a fidelidade? gente, quanta transparência, quanta mágoa revestida em bons costumes e maturidade, tolerância, isso é a cidade? fico feliz em ser torta por saber das tortisses dos outros, mas não conto nada, não sei matemática e minha lógica nunca bate com a lógica universal, óbvia, reprovei em concurso e em vestibular, mas sei guardar segredo sei sim, é que nunca me pediram pra comprovar mesmo por que não tem como, mas guardei grandes segredos de gente que aborta, de que traiu mas ama, jura que ama e ama sim, que vende e se vende, se dá? olha eu aqui como se nunca tivesse amado e como se estivesse amando pela última vez, olhe você mesmo, não sei se já vestiu a carapuça mas ia ser melhor tirar a carapuça, a calça, a blusa, não pense que eu estou nua, não tirei nada mas alguns ladrões estes sim, roubaram minhas máscaras e eu um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
*

O homem convive sempre muito desconfortavelmente com suas mentiras, irmãos, vamos abrir os olhos pro vão da nossa intimidade, vamos machucar, olhar pra dentro, mexer na ferida, abrir os pontos, não sei quanto mede o abismo que criamos entre aquilo que somos e aquilo que fazemos, que temos que fazer, que medo de que bicho é esse dentro eu não sei, se devora ou pede carinho, se prefere correr ou se fica sozinho, só sei que não é só isso, isso que me diz você com uma cara normal e paciente, eu intolero, você também fica louco consigo, eu sei. Sempre tem um euzinho pedindo pra ser desenganado. A verdade guarda o abrigo e a tempestade.


* de "O louco" de Khalil Gibran


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


E A NATUREZA CONTRA-ATACA:





Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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*amar e mudar as coisas me interessa mais

foi na brasa do amor que nasci, que me jogaram, já no fogo da paixão, no sol me queimaram, aliás na primeira noite se amaram, se amam sempre , todos reparam, os anões não falam muito já que passam a maior parte trabalhando nas minas mas quando param pro café comentam: que grande casal! já houve noites de sangue, de saliva e de muito suor, gozo mútuo, mini nirvana, mil risadas, quase lágrimas mas nunca chuva, incrível como não choveu nenhum dia este mês, tudo sonho, num dos sonhos passeou pela piscina colorida, azul, branca, transparente, psicodélica, na verdade era um rio que passava dentro de um túnel, um museu que de passado não tinha nada, muita luz, dei a volta pra pular na calçada normal e entrar nele, todos pisavam ali mas só os que queriam conseguiam entrar na piscina-museu, que piscina! que museu! vocês não acreditam que dia nublado estava lá em cima quando dei a volta, um pulinho na calçada de sempre e puff, já estava mergulhando na piscina-museu, haviam os que pagavam pra entrar, os que não sabiam querer mas que pagavam pra conhecer e esses tinham uma piscina a parte que eu via muito bem, toda colorida também, mas não era a nossa e não tinham a alegria de saltitar pra dentro da água do museu de um sonho, o João Pestana foi muito legal comigo aquela noite, aquela outra também, a noite do fogo do cigarro e a de ontem também, que eu dormi e babei no teu colo e não sonhei nada, todo dia é um grande sonho, vou longe e me esqueço, não por medo de lembrar mas é que eu me perco e fico por lá, longe, sozinha ou contigo e existindo nem preciso dizer que amo, por que de amor sou feita, e de amor são feitos os meus sonhos, os meus planos, os meus amigos, as minhas mãos, os meus porquês, por que o amor pra mim é comida, é alimento, e tem milhões de pessoas no mundo sem ter o que comer, é por isso que eu, que tenho muito amor, amo muito e sempre e com gosto e é exatamente pelo mesmo motivo que não deixo comida no prato nunca: só pego aquilo que for comer.

Clara Cuevas

*Belchior / Alucinação

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eu também vou reclamar:


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conversa rápida


(17:55:45) Yesha'yahu: pense nisso
(17:56:00) Clara: em quê?
(17:56:14) Yesha'yahu: a época de maior efervercencia cultura no mundo recentemente foi a década de 60
(17:56:27) Yesha'yahu: os anos de 68 e 69 especialmente
(17:56:38) Yesha'yahu: a psicodelia especialmente
(17:56:52) Yesha'yahu: no calendario judaico esse é o ano 68
(17:56:54) Yesha'yahu: tá
(17:56:59) Yesha'yahu: do século 58
(17:57:02) Yesha'yahu: 5768
(17:57:20) Yesha'yahu: com um amigo hj, depois da sinagoga
(17:57:51) Yesha'yahu: meus meninos no colegio, a professora pergunta: "seu pai é o q?"
(17:58:16) Yesha'yahu: as crianças dizem: advogado, medico, professor, carpinteiro, isso, aquilo, aquele outro
(17:58:21) Yesha'yahu: aí chega os meus
(17:58:35) Yesha'yahu: "meu pai é psicodélico"
(17:58:43) Yesha'yahu: ou "meu pai é hippie"
(17:59:12) Yesha'yahu: outra q tive de aguentar, por conta do cabelo, hj
(17:59:37) Yesha'yahu: qual será a reação dos meninos ao verem um crucifixo pela primeira vez?
(18:00:00) Yesha'yahu: "buáááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááá... pq fizeram isso com o papai!"
(18:00:11) Yesha'yahu: ah
(18:00:30) Yesha'yahu: to cansado e meio grogue de tanto andar, fora o sol na cabeça, aí ñ to falando coisa com coisa
(18:00:39) Clara: hauhnekhuiahahiuahihauhjhneheuhehe



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eu também vou reclamar:


PULP F I C T I O N




- Ci, primeiramente você deve se acostumar com a idéia de que eu não faço a mínima questão de te surpreender, não porque eu queira te decepcionar de propósito, é que isso tudo não tem o mínimo sentido pra mim mesmo. Pior que isso, o torto, o feio, a voz dos excluídos, sempre foram o meu forte. O meu encantamento. Torta sim - dizem. Eu me queimo mas gosto, é meu charme, amado, é meu charme...

(acende um cigarro)

Quer um cigarro?

- Não, obrigado

- Então, eu já fiquei com tanto cara idiota... se você soubesse... mais idiota que eles só eu mesma... eu vou ser sincera com você, meu braços abertos não são pernas abertas e nem puro o meu escarro e nem meu beijo. Meu piores pensamentos saem assim, no fulgor do encantamento da beleza da vida, na fumaça, nas tempestades, veneno, orkuticidou-se. Pobre. Pobre nada, tinha dinheiro. E quem tem dinheiro tem tudo nesse ocidente cariado velho de guerras. Por isso eu prefiro ser livre e não ter nada, ser oriental, índia, negra, tá me entendendo? Entendeu o lance do torto, feio e errado? Não preciso te dizer que o ocidente excluidente é chato demais pra mim né, e que em tempos de violência como o nosso não há nada melhor que um bom refrigerante de pomelo. Um refrigerante de pomelo paraguaio bem gelado... Ah sim...

(pausa para soprar a fumaça)

Adoro. E adoro você também que vê isso daqui sem entender nada... adoro todo o mundo... que mentira... mas ai, vocês aí esperando uma grande sacada minha ou um novo desastre literário, quase ecológico ou o nada politicamente correto de sempre. Aliás, como vai sua vida, meu caro? Muito cara? Que horas são? Já viu a aflição que dá olhar fixamente pra um relógio durante uns cinco minutos? Olhe sempre mas é melhor não olhar e só cumpra aquilo que puder cuspir e antes de cuspir levante-se. Se o objeto mais próximo for o prato que comeu, cuspa sim mas lave-o e deixe lá pra algum babaca pegar e comer nele, ria dele, sim, ria do babaca, do babaca não tão babaca já que o prato foi limpo por um babaca maior que ele. Mas se divirta com seus pensamentos. Você mesmo, que nunca viu um pomelo... sabe o que é um pomelo? Você já foi preso? COMO IMAGINA UM POMELO? É casado? Quer ir pro céu? Já viu deus? Já se vendeus? Dirige? Viagra? É como diz o Edu: É funcional, pra mim que faço questão de regar as plantas que eu mesma acabei de matar. Mas eu não mato plantas. Mato bichos pequenos por não ver eles,

(bate as cinzas)

mas quando vejo, desvio, não gosto de matar bichos não, mas plantas eu como, é verdade. Eu não sei escrever mas eu escrevo. Escrevo pra gente que não sabe ler, como eu. E como diz ele mesmo: Depois? Depois não haverá mais grandes astros. Me refiro a mim. E enquanto isso? Eu espero se levantarem.

(pausa)

E então irei procurar o primeiro que se levantou.


O problema é que sou quem se levanta primeiro... Mas Ci, eu não gosto de falar muito de mim, sabe como é, em geral sou tímida, introvertida e muito humilde... mas diga-me quais são seus sonhos? Comeu algum hoje? Ou vendeu? Quer um cigarro?

- Não, obrigado.

- Porra, pega um cigarro, fala alguma coisa!

- Querida, eu sou o seu cigarro.

- Tá certo... agora vão dizer que eu tava falando sozinha de novo!


(contrariada, amassa o filtro no cinzeiro e pede uma Pulp)




Uma não, duas.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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ser índio.

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eu também vou reclamar:


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pretérito mais que desimportante do presente do subjuntivo:


SE EU QUISESSE EU SERIA MAS NÃO SOU.




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eu também vou reclamar:


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http://www.netaliegvirtz.com/paintings.htm


Um dia percebi que estava muito enganada com o fluxo dos meus pensamentos, encantada demais com o real e o fantástico, me distraía demais e de repente já estava alucinada com outras coisas. Então foi a partir daí que decidi não me desvirtuar mais. Me monitorava, me endurecia: a vida social tornara-se uma roupa apertada, mas eu andava com ela pra lá e pra cá, fingindo estar super descolada. Meu caráter estava firme enfim. Pois pasmem, foi aí mesmo que comecei a errar, errar, errar. Eu tô normal. Não, não tô não. Tô sim. Não tô. Me tornei um erro tímido que nada acertava. A culpa, o torto, o incerto vivo. Um inseto perdido na vida curta. Nem quando me matei morri direito - pensei.
- Cortar macarrão é pior que virar o crucifixo!
Virar o crucifixo - pensei. Não sei porque aquela frase especificamente tomou conta do meu pensamento. Macarrão. Cruzes! Feia. Feia! Bate na boca! Bate no pensamento e continua comendo. Cortar o macarrão é pior do que virar o crucifixo - pensei de novo. Estava distraída e quando vejo estava eu sugando o crucifixo com molho vermelho. Na verdade não, o spaghetti estava na parede em forma de cruz. Fiquei olhando. O macarrão caiu da parede uma hora mas não fez barulho, ninguém viu. Só eu vi. Será que ele sabe que eu vi? Ele quem? Cala a boca e continua comendo. Carne moída crucificada e morta. É, por isso sou vegetariana. Tô me desmonitorando, merda. Come a cruz e reza o macarrão. Come o macarrão, digo, reza o credo. Cruzes, o credo... o credo é uma reza forte mesmo mas esse molho é mais. Dedos sujos de sangue.
- Pai, abre o vinho!
O sangue de Cristo. Credo. Reza o credo de novo. Sacrifício. Ninguém vai acreditar se eu falar que tinha spaghetti em forma de cruz ali. Por isso cortar o macarrão é pior do que comer o crucifixo. Fica quieta! Não tem nada a ver isso, bate na boca e come. Come aliás. Sacrifício dizem, sacrifictio...

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


@@@@@

paranóia

Uma das teorias feitas sobre a história do sorriso diz que o ato de sorrir surgiu na pré-história quando o homem para proteger suas caças e territórios mostrava os dentes para o inimigo, num sentido instintivo de sobrevivência. É como uma briga de animais, imagine um cachorro rosnando pra outro mostrando os caninos por exemplo. Sorrir pro inimigo. No Aikidô a filosofia não é muito diferente. Usar o Aikidô não é fazer uma chave de braço e ganhar. Mesmo por que no Aikidô não existe ganhar ou perder e no verdadeiro Aikidô não deve existir dor . É preciso ser o Aikidô. A intenção é fazer com que o seu oponente desista da idéia (e da vontade) de lutar. Existe uma harmonia infinita entre as moléculas, a consciência material barra essa tendência harmônica. Por isso é preciso ser. Deus. Pois é, a harmonia infinita e universal é deus, se é. Me considero agnóstica por não me importar com a existência de deus e achar que isso especificamente não faz diferença se o homem em sua própria existência não o tiver inventado. Os homens são todos cegos espiritualmente, sua imaginação é capaz de criar qualquer coisa (por sorte) e sua consciência legitima esse mundo imaginário fazendo uma ponte com a realidade. Aprendi que as coisas que inventamos não deixam de existir porque foram inventadas. Nos dois sentidos ambíguos da frase anterior mesmo. Se você inventou deus ele existe pra você. E é isso. Invento o meu às vezes... ele me toca, a gente ri, passeia, dança. E é essa a minha relação com o tal deus. Não existe idade limite pra ter um amigo (ou ser) imaginário. Essa ponte com o real é a supostamente. A antropologia sempre me apaixonou por me fazer repensar o meu próprio mundo, ao contrário do maniqueísmo tradicional de achar que a antropologia estuda o não-ocidental e chega até a deixá-lo exótico e distante, diferente de como eu já pensei. Minha antropologia é de mim para mim mesma. Nessa reciclagem fui me desconstruindo a medida que crescia, que cresço. O mundo ocidental é chato demais e é nesse aspecto que repudio as nossas instituições. Nossos massacres de mercado, nosso estado fracassado, nossa escola alienadora, nossa igreja estúpida. Note a diferença: no ocidente vamos ao templo pra louvar a deus, enquanto no voodo você é um templo, você se torna um deus. Essa desconstrução não tem preço. Essa escolha. O primitivo, as danças, o bom selvagem. O mundo estagnado é ruim demais. É preciso reinventá-lo o tempo todo. No sonho, no samba, na música, no amor, nas artes, na comida. Nas conversas, nas cervejas, nos infinitos cruzados que somos todos. É preciso abrir as portas da percepção (usando drogas ou não).



Essa carta simboliza o ser humano, com suas luzes e sombras, suas certezas e dúvidas, sua parcela divina e sua porção demoníaca. Está associada a Baco ou Dionísio - divindades do vinho na cultura greco-romana - e também ao Homem Verde da Primavera, figura mitológica celta. O animal que morde a perna do Louco é sua própria consciência, que o atormenta, embora ele nem se dê conta disso. As frutas, o trigo e os símbolos astrológicos mostram que ele tem tudo de que precisa mas não sabe usar as riquezas. Quando aparece num jogo, essa carta indica inocência; transcendência espiritual e capacidade de ultrapassar as barreiras do bem e do mal. Mas também revela excentricidade, confusão, incerteza, medo e irresponsabilidade.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


feliz desaniversário!



Dia 30 de agosto completamos cinco anos de blog!

Quem disse que meus relacionamentos não são duradouros? Parei de postar as vezes é verdade, postei muita merda, mas é fazendo merda que se aduba a vida! Cá estamos nós, eu e blog, felizes! Convenhamos que ele nunca me reclamou nada. As vezes apagava meus textos eu ficava puta, saía do PC mas depois voltava. Depois de muitas republicações alguns comentários foram apagados automaticamente pelo Blogger e as imagens expiradas pelo tempo. Mas ele não mudou nada, o leitores das antigas sabem, sempre teve essa pele branquinha e esse topo vermelho, gente simples, não posta música e dependendo do tamanho da imagem não agüenta! Mas a gente sempre se deu bem, eu com a mesma frustração feliz de sempre e ele com a página casta e pura, pronta para ser usada. Pra quem não sabe o nome antigo era Coca-Cola! Um dia explico. Calma. Mas não diga pra ele que eu contei isso pra vocês.

Amores, desamores, horrores, humores, cores, realismos, realismos fantásticos, gibran, escola, luta de classes, casa das máquinas, el polen, amigos, desamigos, domingos, portos, porto alegre, itabuna, são paulo, desimportâncias, segundas, terças, sonos, sonhos, danças, Américas, vontades, mudançar, mundanças, noites, tardes e muitas madrugadas, risadas, os mais toscos trocadalhos, viagens, voltas, bugalhos, revoltas, minas, volta, poesia, discussão, brigas, ciúmes, apaga isso, não apago não, errei, merda, ah vai assim mesmo, cerveja, boemia, eu era até virgem mas hoje só sou de peixes mesmo.

Poucas coisas gosto tanto como este espaço. Escrevo o que quiser. Um ovo.




Pronto, escrevi um ovo.

(lá vem ela sem sentido de novo, fazer o que quiser)

Tá, pra ficar menos inútil postarei aqui um texto que já foi postado há muito tempo de um amigo libanês que sempre me companhou nessas andanças:

Disse uma folha de papel branco :
"Pura fui criada e pura permanecerei para sempre.
Antes ser queimada e convertida em brancas cinzas, do que suportar que a negrura me toque ou o sujo chegue junto de mim".
O tinteiro ouviu o que a folha de papel dizia, e riu-se em seu escuro coração.
Mas não ousou aproximar-se dela.
E os lápis multicoloridos ouviram-na também, e nunca se aproximaram dela.
E a folha de papel, branca como a neve, permaneceu pura e casta.
Para sempre, pura, casta... e vazia....


obrigada, leitores, lidos e leitões, idos, voltados e revoltados, aparecidos.
os que estavam aqui e foram, mas voltam, os que não voltam e não querem me ver nunca mais.
os que me pintam de ouro, os que me deletam, os que me apagam, os que me provocam.
os que não gostam de ler por que se encontram, também postam, os que me postam.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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Conversando qualquer coisa no bar, celebrando a cerveja, os amigos, as bobagens.
Montando com cuidado um castelo de horas e dias entre o que aconteceu e o agora,
distâncias e palavras que funcionam como isolantes; o carro e o som alto no
toca-fitas já eram como um vácuo entre a casa triste e o bar, e depois o bar
e os amigos como o dielétrico que isola a mente do contato demasiado
dolorido da realidade. Uma série de pára-choques entre o hoje e o
amanhã, para que alguma hora, quem sabe, uma nova idéia,
uma esperança, outra imagem no caleidoscópio.

Mas acontece que essa consciência do esquecimento obrigatório,
da garantia de proteção completa e confortável, se tornou o pior,
o mais covarde dos caminhos, uma vez que sensato e equilibrado.
E eu que nesse momento só quero negar à rotina seus protetores e
isolantes, aceitar sem ilusões que todas as minhas direções se
embaralharam enquanto eu sigo pisando desajeitado,
sob o risco constante de perder a noção de para onde estava indo.

Cortázar




Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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é difícil amar sem fazer perguntas mas se um cão consegue, você também consegue.


eu também vou reclamar:


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os namoradinhos do "Brasil"


Regina Duarte e Roberto Carlos

"Uma mãe amorosa. Uma atriz talentosa. Uma celebridade politizada. E, acima de tudo, uma mulher preocupada com sua higiene íntima."

Sensacional: http://meunomeeregina.blogspot.com/

Quem conhece as artimanhas globais e a jovem guarda silenciosa da ditadura sabe o que é.

Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


Há homens que nascem póstumos...



- Pois é, Nietzsche, é Nietzsche que se diz né?
- Isso mesmo. Nietzsche.
- Com o che no final?
- Isso mesmo.
- Nitz Che.
- Não, meu nome é Nietzsche!
- Nietzsche!
- Isso.
- Isso, então, Nietzsche, eu quando nasci não respirava direito. Tiveram que me bater muito pra eu chorar e em vez de chorar eu saí gritando. Quando li essa tua frase me lembrei desse fato que não lembro na verdade por que não tinha o cérebro desenvolvido o suficiente pra guardar minhas memórias, mas foi minha mãe que disse e a gente tem que confiar pelo menos na mãe hoje em dia né Nietzsche, eu não sei como é a tua relação com tua mãe mas é que da minha história que eu me lembre mesmo assim por mim mesma é só depois dos sete, oito anos e olhe lá... tenho flashs assim, mas nenhum trauma, apesar do abuso, de ter a cabeça cortada e das surras que levei, aliás eu era bem mudinha, nem parece né, mas eu não falava muito mesmo, chorava bastante no meu canto, tinha tudo pra virar Emo, até blog eu tenho! Você já leu meu blog, Nietzsche?
- Não li não.
- Tem que ler, Nietzsche! Mas quando fiz o blog essa espécie (emos) ainda não havia sido catalogada, meu blog é o blog mais antigo que conheço, dos meus amigos a maioria largou por que perdeu a vontade de escrever e tal, hoje eu já tenho dois, este e o outro (www.detestofunk.blogspot.com.br). Flog eu nunca tive só vlog por que queria postar música, mas como tinha pouco espaço e eu tinha muita música e não pagava o Vlog pra ter mais espaço então acabei deixando por isso mesmo.
- De fato, sem música, a vida seria um erro.
- Aham... mas... eu fiquei sabendo que você anda meio doentinho... que tua boa fase nos escritos tem associação com alguns problemas mentais que você tem por culpa da sífilis, é verdade?
- Olha, eu..
- Ai Nietzsche, é Nietzsche né?
- Isso, Nietzsche, olha eu...
- Putz, eu não queria te perguntar assim, acho que falei demais mas é que, é que eu tava pensando nisso desde quando te vi e associei os fatos e e...putz Nitti, é que fa...
- É Nietzsche porra! Nietzs che! Che!! Nietzschê!!!
- Desculpa, ai não sei mais o que falar... ficou sabendo daquela comunidade sobre Niilismo Miguxo? Não deixa de ser uma homenagem, Nie..
- Para os orkuteiros não existe a razão, existe a cadeia!
- Eu tenho Orkut, Nit...
- ...
- Aliás falando assim rapidamente, essa história de Super-Homem tem alguma relação com os artigos da DC Comics?
- Eu... eu... eu preciso de um benflogin.
- Como assim benflogin?
- Ver a vida com maior nietzschedez.
- Nietzsche quê?
-
- Nietzsche?
-
- ...
- Ô Nietzsche , não fique assim, ai eu não devia ter falado isso... poxa, desculpa, me dá um abraço vai MiGuXxoO.





Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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entrevista que a clara fez com o cauê que existe em mim

- A regra é clara, não dá pra namorar sem ter transado.
- Claro que sim, se o amor é verda...
- Não, claro que não dá! Se não houver química, todo amor jurado e conjurado será expirado! A pele é muito importante... Não namoro sem atração! Não adianta o cara ser perfeitinho... Por isso não fico com ninguém, você sabe como sou chata. Eu já te disse, meus amores são impossíveis! Ou o cara é casado, ou mora longe ou já morreu. A distância dissipa tudo e o tempo leva o que sobrou querida, esta é a lógica do mer...
- Não é não, você está sendo muito sexista, quando você gosta de alguém não importa se o cara é bom ou não, será bom automaticamente por que os dois se amam e não há outro amor ou distância ou tempo que mude isso.
- Deixa de ser idiota! O tempo já mudou tudo! Olhe pra mim aqui, olha pra você, Clara!
- Qual é teu amor maior no momento?
- Sou mulher de grandes amores, não puta como você pensou, apenas de grandes amores, você sabe, mas no entanto estou apta a renegar alguns por um que conheci estes dias no sh...
- Não acredito!
- É sério, deixa eu terminar de fa...
- Aquele rapaz que você conheceu no show? Tá apaixonada?
- Claro que, olha aqui, como assim apaixonada, eu já te disse, namorar é só depois do sexo e não sexo depois do casamento como bem ensinaram os séculos de colonialis...
- Você não se apaixona facilmente que eu sei... monstro.
- Credo, Clara!
- Credo digo eu! O que que adianta prometer o mundo e fazer aquelas juras de amor eterno se primeiro: eu não acredito no eterno, nem no deus e nem no destino, acho que são concepções chatas que atrofiam o raciocínio dos casaisinhos de plantão e a criatividade natural que existe de usar tudo pra falar de amor e de amor pra falar de tudo. É importante a química, no amor, no humor, na pira, em tudo! É preciso ser inteligente mas sem criatividade não dá...
- Vai morrer sozinha desse jeito...
- Não sei como você vai fazer... eu te entendo mas são poucas as pessoas que conseguem pensar em química no humor e em amor a primeira vista ...não sei como vai fazer... você sabe... nem eu acredito nisso... e tem gente lendo este post...
- É, eu sei... e agora?
- Agora sei lá, é você quem tá escrevendo, não eu!
- Ah é, tô escrevendo sozinha de certo!
- Você é maluca!
- É você que é!
- A mão que tá no teclado é a tua!
- Mas o dedo que publica o post é teu!
- Acho que devia sossegar...
- Acho que devia ligar o foda-se.
- Se apaixonar...
- Eu?
- Sim.
- Fodeu então... mas você tinha que ver, eu pedi fogo pra ele no sh...
- Eu já sei já sei...já me contou esta história mil vezes.
- Eu sei... você tava lá não tava?
- Viu minha cara?
- Vi sim...
- Acho que tá gostando dele...
- Também acho.
- Tem gente lendo este post...quero ver você expli...
- Ele tem os olhos tão bonitos.
- Vamos mudar de assunto.
- Apaga isso.
- Nem vou apagar.
- Publica então!
- Você é maluca.
- Você que é.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


psicandelia



não é gif não...



"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
Huxley, The Doors of Perception, 1954

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Before you slip into unconsciousness,
I'd like to have another kiss,
Another flashing chance at bliss,
Another kiss.
Another kiss.

The days are bright and filled with pain.
Enclose me in your gentle rain.
The time you ran was too insane.
We'll meet again.
We'll meet again.

Oh, tell me where your freedom lies.
The streets are fields that never die.
Deliver me from reasons why
You'd rather cry.
I'd rather fly.

The crystal ship is being filled.
A thousand girls. A thousand thrills.
A million ways to spend your time.
When we get back,
I'll drop a line.

The Crystal Ship - The Doors

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eu também vou reclamar:


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viola violação



conte pros amigos que tudo foi em vão corte os cabelos suje a moça rompa as cordas do violão sugue as balas siga a corja sopre o canhão pague meu dinheiro e vista sua roupa apague as luzes e vá se afogar no neon mate-o saia da frente do meu sol tampe a cartola vá comer outros matos minha fome é outra eu não tenho destino nem tempo nem espaço nem quero me dê a saia e vista suas roupas por favor me pague pode contar o que for se sou o silêncio o fino grito o surdo e o mudo o nada saia correndo mas por favor vista suas roupas ponha os pés na calçada ponha suas calças eu não tenho sede eu não tenho sexo eu não tenho som perdi o soco o ponto o pão conte pros amigos que tudo foi em vão as vírgulas as letras a visão mas vista suas roupas não por favor não vista a minha sorte minha fome minhas patas toscas meus cortes vista suas roupas e me pague me faça forte ou gauche mas por favor vista suas roupas me dê meu tostão e vá embora não sou cego eu já me visto não escrevi isto e por favor dê meu dinheiro de volta.

Clara Cuevas

eu também vou reclamar:


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nem tudo
que é torto
é errado

veja as pernas
do garrincha
e as árvores
do cerrado



Nicolas Behr - Beijo de Hiena, 1993

ESTOU COMEÇANDO A PERDER
O MEDO QUE TENHO DAS PESSOAS

JÁ PEGO NA MÃO
DA MINHA NAMORADA

Idem - Chá com Porrada, 1978
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eu também vou reclamar:


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penso logo existo
penso que existo
penso que penso


Lecionar me faz pensar nesse discurso ridículo de potencial humano. Mas não existe isso, uma palavra elimina a outra.
- Que exagero, Clara!
- É... até o câncer evolui.

Nosso potencial é de foder com tudo mesmo. É potencial ué. Só não é um potencial muito bonitinho e nem útil para o resto das espécies mas fazer o quê. Nem o brilhozinho das crianças, nem as mil possibilidades da juventude nem todo o tempo e vontade do mundo me faz achar que ainda vale a pena. Vale a pena pra mim que quer trabalhar sem precisar contribuir com esse escárnio. Mas a mudança parte do ser mutável. Eu não sou deus: Ese mundo a los pies, violento, imbécil, abrumador, esa novela canallesca escrita por un loco.
Não se preocupe, são animais - disse meu amigo malvadão. E como são. Mas estou preferindo os animais então acho sacanagem chamar o futuro da nação de animal. Animal vem de anima - alma. Alma é uma coisa que ninguém tem. Nem de anjo, nem de diabo. Estamos preocupados demais com nossos probleminhas banais e com as nossas moralidades. E não fico triste com isso, fico de saco cheio mesmo. Existem cegos inválidos por que não querem ver. E eu, no ápice da minha compreensão devo achar isso normal, tomar um kisifoda e apertar o acelerador. Afinal eu acho que vejo. Nunca tive tanta vontade de morrer de repente assim, sem dor. Sem emosidades. Tenho estado tão feliz que ultimamente toda hora é uma boa hora. Preciso de diversão pra viver, não de esperança. Muito menos de criança-esperança: Psicologia & Marketing sem gastar dinheiro: Botam o comercial do projeto em seguida que se mostra uma enchente fatal com crianças sofrendo de verdade lá no Oriente. Ridículos. Utilizam protagonistas fudidos da vida real como figurantes de uma propaganda que ninguém vai lembrar. O que vale é a isenção de impostos que terão as custas dos babacas que dão dinheiro:
- Mãe, desliga isso, não liga pro criança-esperança...
- Mas são só cinco reais! É bom ajudar o próximo!

[flor murcha do MSN]
Isso sim é ajudar o próximo. Fazer o bem sem olhar a quem. Nem que esse quem seja o capeta travestido de Rede Globo. Eu tô muito puta com tudo isso, e muito puta por ter nascido aqui nesse sugismundo. Não, não sobrarei de vítima das circunstâncias. Só acho minha espécie patética demais. Só isso. Queria que fosse um problema simples, daqueles resolvidos com tinta de cabelo, manicure ou ofurô mas o problema é outro. Não posso simplesmente virar um quati.
Bem que podia não ter nascido. Merda. Paisagem ruim. Agora tô aqui. Não bastasse sobreviver no corredor apertado, perto do banheiro, vou ter que morrer um dia ainda. Parem o mundo que eu quero descer!


malvados.com.br

Deus fez os cães de rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente - é claro! - a pontapés.
belchior - Conheço o meu lugar

- Calma Clara, vai piorar.
- A medida que existo, sempre piora.
- Você é insuportável, literalmente.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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É claro que ela se tornaria uma máquina. Uma máquina de pequenos botões. Botões de apertar, não de abrir. Curvas. Carros. Ela não pisca. Ela olha pra televisão, ela fala com a televisão.
- Já comeu, querida?
- Já.
Uma maquininha viciada. Quase um extraterrestre. Já não é minha irmã. É claro que ela se tornaria um ser assim insuportável no silêncio, um ser repugnante assim na fala, como é. É a metamorfose brusca e impiedosa dos treze anos. O único som que escuta é o do carro da mãe chegando e rapidamente põe os chinelos e se prepara para mostrar pra mãe a filha que não é. É impulsivo quase instintivo. Meu deus, que deus teria educado, criado e feito um ser tão manipulador e frio? Mas eu sei como é. Nessa idade. Culpada por sarcástica, magoadora dos sete nós dos corações da vizinha. Chorei bastante pelos fantasmas que criei e que me inventaram. Rosseau não estava errado quando disse que quem ensina os filhos a mentir são seus pais. E é verdade. Vejo aqui ao meu lado um pequeno ser humano aprendendo a ser hipócrita, a conviver com o superficial e a tirar o menor proveito dele e do mundo. Menos proveito por que cansa menos. E o negócio é ser folgadão na parada, tá ligado. Não sei que pessoa vai sair disso. Mas mais do que a futura dignidade, o que me preocupa é que não vejo atual diversão:
- Tá se divertindo aí?
- Ah, tô sem fazer nada, aperto dois botões aqui, o carinha que mexe lá...
Não é a única que não se diverte no momento. Pressinto brigas e discussões em minutos. Saio do computador. Vou dormir. Finjo que durmo. Finjo até as três da manhã que durmo. Incomodo um ou outro por SMS. Escapo dos que me perguntam, dos que querem me ver, dos que têm dúvidas e principalmente daqueles que querem mostrar suas certezas. Acho que não há nada mais parecido do que eu neste momento do que uma criança pré menina quase moça vidrada num playstation 1, viciada em seu tédio sem piscar. Ela muda o jogo, eu vou deitar.

Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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estádio onde Victor Jara foi torturado - Chile 1973

La Maison Dieu - Renato Russo

Se dez batalhões viessem à minha rua
E 20 mil soldados batessem à minha porta
Á sua procura
Eu não diria nada
Porque lhe dei minha palavra
Teu corpo branco já pegando pêlo
Me lembra o tempo em que você era pequeno
Não pretendo me aproveitar
E de qualquer forma quem volta
Sozinho pra casa sou eu

Sexo compra dinheiro e companhia
Mas nunca amor e amizade, eu acho
E depois de um dia difícil
Pensei ter visto você
Entrar pela minha janela e dizer:
- Eu sou a tua morte
Vim conversar contigo
Vim te pedir abrigo
Preciso do teu calor
Eu sou
Eu sou
Eu sou a pátria que lhe esqueceu
O carrasco que lhe torturou
O general que lhe arrancou os olhos
O sangue inocente
De todos os desaparecidos
O choque elétrico e os gritos de
- Parem por favor, isto dói -

Eu sou
Eu sou
Eu sou a tua morte
E vim lhe visitar como amigo
Devemos flertar com o perigo
Seguir nossos instintos primitivos
Quem sabe não serão estes
Nossos últimos momentos divertidos?
Eu sou a lembrança do terror
De uma revolução de merda
De generais e de um exército de merda
Não, nunca poderemos esquecer
Nem devemos perdoar
Eu não anistiei ninguém
Abra os olhos e o coração
Estejamos alertas
Porque o terror continua
Só mudou de cheiro
E de uniforme
Eu sou a tua morte
E lhe quero bem
Esqueça o mundo, vim lhe explicar o que virá
Porque eu sou
Eu sou
Eu sou


guerra civil - Togo 2005

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Blues da Piedade - Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia


Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada


mário - Curitiba 2007

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.


felipe - Porto Alegre 2007 / crédito da imagem e das miragens: Cauê
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eu também vou reclamar:


vertigem



De fato, conhecer meu pai não é tarefa assim tão simples. Simples é, mas reflexões são inevitáveis. Que ser tão magnânimo poderia ter genes que combinados com o tesouro genealógico de minha mãe resultaria num ser tão perfeito como eu? Um intelectual velho e barbudo? Um chipeiro magro e ranzinza com os dentes escuros do cigarro e do tempo? Que tipo de homem comeria minha mãe? Na verdade a pergunta é, para que tipo de homem minha mãe deu. Meu deus. Minha mãe , minha pura mãe. Minha casta mãe que nem dessas coisas gosta. Tenho problemas pra me relacionar socialmente. Sempre tive. Sou simpática, as vezes. Mas responsabilidade emocional sobre a gente alheia sempre me incomodou. Seríamos sempre responsáveis por aquilo e por aqueles que cativamos? Cativo é escravo. O Gibran uma vez me disse: Não quero que me compreendas pois aquele que nos compreende escraviza qualquer coisa em nós. Que tipo de ente estaria eu preparada pra conhecer e até amar? Será que o risco compensa? Tem gente me falando de pensão mas só tô falando do meu pai mesmo.
É verdade também que aos vinte a gente sente psicologicamente uma vontade de conhecer as nossas origens. Mas não sei sinceramente se a resposta compensa. E ele se ele tivesse abusado da minha mãe? E se ele é um velho babão maldito? Não sou ridícula a ponto de pensar que meu pai foi ou é o melhor pai do mundo. Meu mundo nunca é esse. Sou vil por que admito que meu amor ao próximo depende do próximo. O passado pós e pré Clara no mundo foi e é de infinitas formas, com infinitos motivos e infinitas desculpas. Versões. Versões de vinte anos atrás. Histórias são essas coisas que contam e que acontecem. Minha mãe disse que ele era músico. Que era hermoso. Não sei. Não o conheci. Essa cena fica pro próximo capítulo. Acalmem-se, eu vou ligar pra ele de novo. Enquanto isso fico aqui desconstruindo tudo. Brinco com os restos. Vivo e o que não vivo, escrevo.

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eu também vou reclamar:


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DAY AFTER

eu ia te responder agora mas ontem bebi demais, fiz MUITA merda Vodka com groselha. Vodka, licor de cacau e tequila. La cucaracha. Vodka com outras coisas e pimenta. Pimenta. Strip tease em show de rock. Quase. Muita sujeira. Vômito. Violência. Dancei de forma muito sensual ouvindo Deep Purple. Comecei a quebrar tudo. Tudo isso em uma hora de permanência no boteco. Pareceu um filme, quase entrei em coma alcólico. Expulsaram a gente. Meu amigo apanhou. Não lembro de porra nenhuma. Só sei que é verdade por que gravaram vídeo, me contaram e minha roupa estava toda vomitada. Quase fui parar no hospital. Meu inconsciente é foda. Sonâmbula já faço merda. Com bebidas pesadas então...deletei meu ego, e meu superego. Fui puro ID. Por isso, neste momento sinto asia, um pouco tonta e não conseguirei te responder os e-mails da forma que você merece. Amanhã volto pra Curi. Conversamos. Merda. Tô mal. Homem bêbado é história. Mulher bêbada é vagabunda. Malditos séculos de colonialismo ibérico. Maldita construção. Maldita marvada. Malditos seguranças. Malditos...Maldita. Mal dita sou. Mal dita serei.

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Tô por aí, espalhada, sempre.


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[A cultura do terror/1]

Sobre uma menina exemplar:

Uma menina brinca com duas bonecas e briga para que fiquem quietas. Ela também parece uma boneca porque é linda e boazinha e porque não incomoda ninguém. (Do livro Adelante, de J.H. Figueira, que foi livro escolar no Uruguai até poucos anos atrás.)

[A cultura do terror/2]

Ramona Caraballo foi dada de presente assim que aprendeu a caminhar. Lá por volta de 1950, sendo ainda menina, ela estava como escravazinha numa casa de Montevidéu. Fazia de tudo, a troco de nada.

Um dia, a avó chegou para visitá-la. Ramona não a conhecia, ou não se lembrava dela. A avó chegou vinda do interior, do campo, muito apressada porque tinha que regressar em seguida. Entrou, deu uma tremenda surra na neta, e foi embora.

Ramona ficou chorando e sangrando.

A avó tinha dito, enquanto erguia o rebenque:

Você não está apanhando por causa do que fez. Está apanhando por causa do que vai fazer.




Eduardo Galeano


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brincando com a morte...

(alheia)

No tarot cigano, a carta " A morte" significa o fim de alguma coisa ou o começo de outra. Nas antigas sociedades pré-colombianas (Maia e Asteca mais precisamente) o tema morte é gritante na arte e arquitetura, justamente possui a idéia central de mudança, de passagem, a idéia de antes e depois. Os dois mundos. The otherside na própria vida e cotidiano. As revoluções sempre tão temidas e/ou desejadas são um tipo de morte ( e as pessoas têm medo de mudar, dizem). Vendo um filme há um tempo atrás me matei de rir, o cara ia matar um sujeito que já estava em estado vegetativo, ia tirar os tubos e coisa e tal, pois olhe a habilidade do humor peculiar do cidadão:
- E então, que tipo de coisa você quer virar? Um alface? Quem sabe um pepino? Quer virar um tomate? Quer?
No Google, se você procura a morte, ele te dá vários links:

Para os curiosos,
A grande-mãe Wikipedia responde : Morte, óbito ou passamento (ver abaixo) são termos que podem referir-se tanto ao término da vida de um organismo como ao estado desse organismo depois do ...
Passatempo é boa!

Para os adoradores das imagens "chocantes",
Faces da Morte: -+|Faces da Morte|+-. Escolha sua preferida! ... Faces da Morte. Alg*As 7 últimas foram doadas pelo visitante =$I= Gen.Iceman.

Para os precavidos,
O dia da sua morte - Metamorfose Digital: estou preparada para o dia da minha morte vou esta feliz pq fui mas quem ..... Então soh é parar de beber no dia de sua morte que tera 4 anos a mais de vida ...

Para o fodido,
-Morte: Quem teme a morte é o homem, não o Espírito. Aquele que a pressente pensa mais como Espírito do que como homem. Compreende ser ela a sua libertação e ...



Eu ainda acho que dormir é morrer todos os dias, com a diferença de acordar depois. Mortos-vivos somos todos!
É claro que este post (pra não dizer blog) é para os desocupados que (como a autora) vão morrer (pra sempre) um dia sem saber porquê.
Mas é só pra descontrair mesmo.

Clara Cuevas

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vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

paulo leminski



DE NOVO.


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Foram quatro bares naquela noite, não sei qual é o nosso problema que a gente vai migrando de bar em bar mas é sempre assim. Uma hora estávamos em quatro, um foi levar a guria até o carro do pai e o outro foi ao banheiro. Por um instante sobrou eu e a Skol na mesa. É muito fácil fazer amigos num boteco, questão de segundos. Em seguida já juntamos as mesas. Três homens. Menos de quarenta nenhum tinha. Ela tem o sorriso bonito! - disse o mais magro de camisa vermelha. Esse tipo de comentário faz a gente sorrir automaticamente de novo, malditos. Mas existe um processo mais automático que começa quando o cara senta pra conversar com uma mulher: ele inventa todas as histórias do mundo pra tentar levar ela pra cama. Todas as afinidades, viagens, metas, projetos e perguntas que acha que vão intrigar alguma coisa. E óbvio, se o monte de testosterona não sente nem cheiro e nem possibilidade de sexo, o homem migra! Então este senhor de cinqüenta anos, pseudo-um montão-de-coisa e safado, achou uma menina que disse “Vamos”. Não, não era eu. Uma menina de cabelo curtinho muito doida. Uma hora meu amigo que trocou um isqueiro por um beg (!) ficou: Beg, beg, beg, beg, quero fumar meu beg! Então vai lá fora, meu filho, fumar a porra do teu beg... Com ele foram os dois velhões. Conosco ficou o Gustavo, velho safado e viciado igual mas muito gente fina, rimos muito falando muita besteira. Quarenta e cinco anos, casado duas vezes, três filhos e uma faculdade não terminada. Diz que tem sorte com guriazinha da minha idade. E a gente ria das besteiras e dos desarmes que eu fazia das indiretas dele. Isso é bom do cara mais velho. As satisfações dele são dívidas que ele criou em relação ao tempo que viveu, que tem pra viver e às quantidades sim, mas ele sabe o quão e quando é bobo. E não tem medo de rir disso. Cocaína sim, todos os três. Os caras eram doidos, malucões. Meu amigo voltou sozinho e pasmo: Porra, o cara falou que queria que eu chupasse o pau dele enquanto uma mulher ficava em cima. Caralho... Eu não entendi muito a cena, mas se o cara falou né. Acho que ficou pasmo por que nunca pensou que receberia este tipo de convite. Muito menos de um senhor e muito menos naquela noite tão normal. Esse tipo de gente eu não tinha conhecido ainda. Muita cocaína, muita. Vou no banheiro “me animar”- dizia. Muito cabelo grisalho, muito. Muito tempo. Muito... Fiquei pensando.

Clara Cuevas


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o golpe covarde do último suspiro

- abandone as esperanças, tudo por aqui é teia de aranha, seu mosquito! * Faz muito tempo já, em uma caçada fugaz e um pouco purulenta, consegui levar pra casa o tal bicho. Não foi difícil, mas não comi. Cacei de novo, comi por ali umas moscas, umas larvinhas, uns artrópodes sem sal, mas aquele guardei. Guardei por que meu instinto aracnídeo me diz que aquele inseto é do tipo de invertebrado que a gente deixa por dias entrelaçado na teia, observando e mexendo antes de levar às presas, antes de levar à boca, as pressas. Mas não, pequeno, não seja breve, eu não tenho tanta pressa assim. Não agora. É tudo métrica tecida cuidadosamente pra que você possa se distrair um pouco enquanto eu te olho. Te miro. Te analiso pra ver se acho um pouco de mim aí, nessas asinhas tão finas. Minhas vontades não vêm do apetite, vêm da fome, é verdade. Mas vêm de dentro e chega até a ser engraçadinho, te ver assim em minha vida tecida, tão entediado, esperando qualquer decisão tola e definitiva que eu tome. Eu te alimento e gordinho me pareces ainda mais adorável. Você vibra a teia, eu sinto de longe e venho correndo. Gosto de sentir a água descer pelas minhas presas. Minha teia é irregular mas meu coração é bom, é sério. Mas não se negue, minha fome é clara. E meu tecer também. Estão sob luz do dia e das estrelas da noite. Estão a margem de todos os olhos de todo o mundo natural. Quem quiser que veja. E você vê também. E se vê aí, tadinho, se debatendo. As vezes desiste. As vezes tenta. Quase consegue. Mas não sai. Se esforça, se irrita. Me chama de peçonhenta, de armadeira, caranguejeira, negra, marrom, praga! Mas você também é praga. Pra mim e pra todo o mundo. Eu poderia te devorar rapidamente. E você nem sentiria nada. Eu te engoliria e em um fôlego amargo tudo estaria acabado. Ó minha marmita, meu almoço revestido em seda aluminada. Mas não consigo. De predadora furtiva passei a escrava automática, quase formiga. Não sei mais quais são os instintos. Estou presa aos teus olhos de mosquito.

*trecho em negrito do tema "Perdido nas estrelas" de Itamar Assumpção

Clara Cuevas


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E então, de repente a alegria natural da juventude acabou. Ficamos todos quietos. O vento batia na cara mas não me fazia sorrir mais, nem a música, nem os amigos, nem nada.
Uma sensação no meio do caminho assim, como que fazendo com que a gente parasse a vida por motivo de força maior tomou conta de todo o ambiente.
Uma tristeza sem fim, uma vontade de cometer o suicídio mais dramático e lento. Era como se todo o mundo tivesse morrido e nós, também quiséssemos morrer. Nada fazia sentido. A vida por si só é um instrumento letal.
Não adiantava correr. Era uma longa viagem, essa vida. E naquele percurso, todos estávamos perdidos. Onde chegaremos com essa vida medíocre?
O mundo vale a pena? Não. Tudo é mentira. Ilusão. Só o suicídio coletivo seria a resposta. Eu pensava em algo pra poder melhorar mas de fato nada que passasse pela minha cabeça poderia valer a pena. O fim era irreversível.
Do lado direito vejo o abismo. Do esquerdo, a serra. Puxo o volante ou não? Para qual lado?
Clima tenso. Olho o motorista. Meu amigo estava quase chorando, e então pensei que eu não precisaria jogar o carro pro abismo.
Ele faria isso por nós. O silêncio falava por todos e nos doía cada vez mais. Clima tenso. A decisão final é tomada.
Paramos o carro.




Clara Cuevas


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"La esperanza se hizo una casa y le puso una baldosa que decía: "Bienvenidos los que llegan a este hogar". Un fama se hizo una casa y no le puso mayormente baldosas. Un cronopio se hizo una casa y siguiendo la costumbre puso en el porche diversas baldosas que compró o hizo fabricar. Las baldosas estaban colocadas de manera que se las pudiera leer en orden. La primera decía: Bienvenidos los que llegan a este hogar. La segunda decía: La casa es chica, pero el corazón es grande. La tercera decía: La presencia del huésped es suave como el césped. La cuarta decía: Somos pobres de verdad, pero no de voluntad. La quinta decía: Este cartel anula todos los anteriores. Rajá, perro.

[...] Y otro día, otro cronopio se hizo otra casa. Descolgó un coco de la nube más cercana, le dio veintiún golpecitos a modo de saludo; y corrió a buscar el tubo de la pasta dentífrica que guardaba dentro de un antiguo libro de alquimia.
Se sentó en el jardín de su casa nueva y (apretando el tubo antes mencionado de la manera en que sólo lo hacen los cronopios) escribió sobre el coco: "¿Así que ya has llegado"?. Al ver que no obtenía respuesta, buscó otro coco y escribió en él: "No hay peor sordo que el que no quiere oir; ni peor miope que el que no quiere responder". Y luego, en un tercer coco: "Tengo mate amargo y cerveza helada, por si llegas algún día".

Júlio Cortazar


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nem formol, nem sal - aqui, o crime da prova...

Descarga do Solstício de Inverno



Essa noite não podia ficar assim...eu não poderia deitar e dormir simplesmente... Caros, esta é a noite mais longa do ano. Realmente, são duas da manhã e meu corpo acha que é quatro. Minhas pupilas não acham nada...só admiram as palavras encontradas nas antigas publicações de blogs (de amigos) que estão vivos até hoje. Blogueiros amigos, sim, pra não perder a inspiração a gente tem que tirar o ins das palavras. Sim, esse é o canal.
Numa noite dessas, sem compania, sem conversas, sem nada (ingrata, estou escutando música), eu só poderia vir aqui escrever mesmo. Acabo de ler textos que falam sobre a boemia (não essas populares, as boemias true mesmo, aquelas da nossa imaginação) , sobre a anarquia natural do desfalecimento pessimista das coisas, sobre a nossa falta (sem sentir falta) de qualquer coisa que seja deus, diabo ou infinito. A gente gesticula, pira, inventa dá forma a tudo. Somos um bando de desfalcados. Estava pensando nisso hoje: eu, futura historiadora (mas, você vai ser professora, Clara?) (Ah, você acha...que coisa...) vou me foder pra ganhar dinheiro. Sim, calma, a novidade não para por aí, raparigo, então penso nos mais fodidos que eu: os artistas (formados em música ou artes plásticas em geral), a maioria se fode muito pra se manter só da arte. Então pensei nos mais fodidos ainda, nos não-formados e sossegados do mundo: os hippies. Estes sim, absolutamente não têm direito ao capital. Eles que arquem com as conseqüencias!
Alegam que nós não podemos receber muito por que não produzimos nada para a sociedade. A história é subjetiva demais, o cinema é subjetivo demais, a música é subjetiva demais! Quanto é que custa/vale a subjetividade? Você quer um mecenas aqui na América do Sul, ô rapaz latino-americano?
Oras, nessa ridícula lógica o nosso gari - corajoso e gente fina moço que recolhe a nossa primeira produção humana na terra chamada lixo - deveria receber muito mais do que o gerente administrativo da área de produção de marcas e acessórios para a introdução das latas de refrigerante no terceiro mundo - Southern Node dizem. Produz limpeza ao juntar a sujeira que todo o mundo faz questão de esquecer. Sujeiras esquecidas. Não quero nem comentar sobre o nosso subconsciente.
É mais óbvio ainda do que tudo que eu já disse que a nossa sociedade é composta de paradoxos, mentiras e outras barbaridades em geral. Mas hoje eu me assustei, pois me deparei com essas merdas assim, de surpresa, distraída. Depois da aula passei no mercado. Andando com a cestinha típica de mercado " Somos limpos e felizes, venha ser feliz conosco senhora, olha aqui esse tomate que bonito, música agradável, sorrisos, vem comprar" geralmente azul marinho ou vermelha inventada milimetricamente por algum indivíduo que cursou Desenho industrial / projeto do produto, e leio na área de cosméticos e higiene: SHAMPOO DE CHOCOLATE SEM SAL.
Cara de espanto é gentileza da tua parte. Cara de caipira, de bicho, sim, obrigada. Meu espírito tão acostumado com a sutil sinestesia poética do dia-a-dia se deparou com a confusão simples dos sentidos comerciais. Como assim um shampoo (produto de higiene para cabelos) vai ser de chocolate (alimento doce a base de cacau inventado pelos Astecas há milênios) e sem sal. Sem sal meu deus...sem sal...shampoo sem sal.
Virando a esquina pra virar a rua cheia de sacolas cheias me esbarro em um cartaz enorme e divinamente iluminado e luminoso: Circo du Soleil - INGRESSOS PARCELADOS EM ATÉ 8X SEM JUROS NO SEU CARTÃO AMERICAN EXPRESS CARD. Ingresso parcelado...ingresso parcelado meu deus...parcelado...não é pra ser um espetáculo? Me lembrou da páscoa, época em que o povo compra duzentos ovos de chocolate pra toda sua célula (lê-se câncer) familiar e paga (minto, estão pagando ainda) até outubro...até outubro meu deus...até outubro.
Chego em casa: Clara! Vai ver no Jornal da Globo, você vai gostar, passou no Jô, estão fazendo turnê pelo Brasil - meio desconfiada e com vários insetos atrás da orelha ligo a TV na Globo: TECNOTANGO. TecnoTango meu deus, TecnoTango...ou é tecno ou é tango, e não me venha falar da influência do jazz na MPB, ou da fusão dos regionalismos com o rock dos anos 70 e 90. "Ai, é que se não se adaptar acaba" , acaba ô cacete! Acabou. Acabou! Desliga logo essa merda. Meu deus...nunca vi na vida um troço desses. Uns troços destes. Fica até difícil de falar.
Olha, eu não sei das covas cavadas para e por nós bípedes qual vai ser a minha, as únicas covas que possuo no momento são as do rosto e falando em neném, nem os dentes do ciso tenho ainda. Nessa extensão, admito: não consigo achar conclusão pra nós, os bailarinos, músicos, poetas, pintores, arte-educadores, escritores, produtores de qualquer coisa sem valor ou sentido, boêmios e toda corja renegada as vezes (anti) social. Me perco nos quesitos consumo, tecnologia, instituição. Mas tá certo, emocionalidades a parte " A vida não é boa nem má, aguarda apenas a nossa decisão". Grande Itamar Assumpção. Esse morreu também, esse acabou... acabou... acabou meu deus.... acabou. Acabou nada, não são nem três horas da manhã ainda, e o sono minha clara, demora em noite demorada.


Cheguei a conclusão que escrever é de alguma forma e as vezes, falar sozinho. É...deve ser mesmo.


Clara Cuevas

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Tenho insônia, resistência, força de vontade, consigo me controlar e abdicar de uma torta de nozes, de um mousse de chocolate, de um quindim. Claro que com muito esforço e concentração. Mas é impossível resistir a minha Clara dormindo. Pode testar com a sua nega. Tente assistir a um filme na cama. Ela pedirá de propósito para abaixar o volume da tv. Você aceitará o apelo para aumentá-lo depois, quando não estiver controlando a imagem. Ela deita de lado, como uma árvore aprendendo a assobiar. Sussurra baixinho. Não é ronco. É respiração densa, uma sinfonia do seu batimento. Um vento com estilo. Uma brisa depois da porta. Uma música sendo composta. O pescoço aberto para o seu rosto, espaço ideal de concha. Os cabelos penteados pelos lençóis. A nuca perfumada do banho. Os pés dela no fundo das cobertas como um leme alterando a direção dos seus. Tudo meticulosamente planejado para desistir das legendas. Um convite inaceitável do escuro.

Teimoso, avança até a metade da fita e algo estranho acontece. O diretor, os atores, o enredo que comentou ao longo da semana tornam-se secundários. Difíceis. Incompreensíveis. Os três travesseiros já não serão suficientes para mantê-lo sentado. Há um ciúme do sono dela, uma inveja imperdoável. Ela ainda ri espaçadamente para aumentar sua curiosidade. Solta palavras apressadas. Resmunga relâmpagos. Aproxima-se da boca para escutar com precisão e calma. Os lábios parecem contornados de lápis de cor, tamanha a euforia das linhas. Perguntará a si mesmo: "O que ela estará sonhando? Será comigo? Será que existo mais nela do que em mim?" Nesse momento, você caiu na cilada da beleza descansando. Não existirá volta ao filme.

Seus olhos passam a desistir, avermelhados da leitura do corpo feminino. Buscará em vão aumentar as letras dos cílios, porém o som das calhas é invencível. O som de uma mulher respirando é melhor do que o barulho da chuva. Se não tem óculos para tirar ficará pior. Não contará com um sinal de abandono de causa. É como capotar com o livro no peito (o livro sempre foi meu sutiã de noite). Adormecerá automaticamente, tomado de doce anestesia. Perceberá que quem manda é ela: claramente capaz de seduzi-lo, inclusive dormindo.

Autor conhecido porém anônimo



Sonho causado pelo vôo de uma abelha à volta de um romã, um segundo antes de despertar - Salvador Dalí


"Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo. "
Eduardo Galeano

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eu também vou reclamar:


Já tive muitos critérios, hoje só vários delírios.



Ele tinha um moletom azul marinho rasgado na bunda que tinha um bolso que pesava por culpa da carteira pesada e que dava pra ver a cueca barata. Dei muito pra ele. Um dia ele foi me pegar na faculdade e me perguntou com o palito no canto da boca por que eu ficava com ele se ele não tinha faculdade. Os homens adoram se sentir únicos no mundo (como as mulheres). Disse pra ele que qualquer um podia ter uma faculdade hoje em dia, mas ele (por ser especial) era diferente. Ele adorava. Eles não te pegam assim, pegam? - me dizia. Olhava ela me dizendo isso e ria muito. Que grandes pervertidos somos todos em nossa vã intimidade e mais uma vez: que moralidade mais patética. Muita risada. Confissões. Engulo mesmo e daí? Olha só aquele de toca ali, barbudinho...não posso ver uma barba. Mas vê pra mim porque eu sou tão míope que além da fumaça e da escuridão tem esse som alto atrapalhando a minha visão (isso sim é que é ser míope: a gramática chama de sinestesia, confusão de sentidos, é cult) e não consigo ver ele direito. Ele tá olhando pra cá. Eu danço. Ela bebe. Eu bebo. Ele se aproxima encostado numa parede. Daonde você é? Olha, eu não sei mas acho que sou do Paraguay. Na verdade eu sou argentino, viste. Ah, de donde? Patagonia! Patagonia! Que bien, tengo una amiga que vive en Patagonia. Grêmio ou Boca? Boca! Boca? Boca ou Boca? Boca con Boca! Risadas. Sorriso. Beijo. É incrível a utilidade que possui a boca humana. Nutricional-comunicativa-psicológica-reprodutiva. Trocamos muitas bactérias aquela noite. Típico argentino malabarista de semáforo. Sempre tive vontade de pegar um. Anarquisticamente sensuais. Um corpo bonito por culpa das macaquisses que fazem pra ganhar dinheiro. Divertidos. Barbados. Barbudos. Um Ravno, talvez. Adoro esses bichos do mundo. E meninas, acreditem, as palavras ficam extremamente doces e agradáveis quando ditas em castelhano no teu ouvido. Qué te gusta? Un cine? Si. Y qué te gusta comer? No me dijiste! De todo! Y tomar, un vino? Si! Tinto o blanco? Tinto y seco! Vamo a casar entonces por que es mi preferido! Lembrei do dito precavido do Itamar Assumpção: Devagar com esse andor Leonor, casamento é muito caro...
Sorriso. Pega telefone. Eu nunca pego o telefone. Nunca. Não tenho um celular a mão ou não levo a sério o amanhã. Então deixo o momento no hoje mesmo. O hoje que foi ontem, digo. Deixo o momento no momento. Tiro o eterno do tempo. Ele que faça o nosso amanhã se quiser. Me contento muito com o presente. Absorvo o melhor dele. Sempre. Eu penso em tanta gente no meu dia a dia que esse povo nem deve imaginar que passam pela minha cabeça. Sim, vocês mesmo. Fechar a madrugada com um bom cachorro quente prensado e negociando com o taxista, sempre. Não dormi em casa e não dormi com ele. Dormi em um sofá cama em forma de sofá parecendo um cachorrinho enrolado. Estávamos muito cozidas pra conseguir abrir a porra do sofá cama. A única coisa que eu conseguia abrir eram os olhos. Acordo. Vejo Curitiba acordar. São sete horas da manhã, não vejo o Cristo na janela, o sol já apagou sua luz e o povo lá embaixo espera, nas filas dos pontos de ônibus, procurando aonde ir, são todos seus cicerones, correm pra não desistir dos seus salários de fome. É a esperança que eles tem, neste filme como extras todos querem se dar bem.. Penso no Cazuza. Na sede do Cazuza. Plena segunda-feira. Mesma saia de sempre. Mesmas alpargatas. Eu e minha mania de dormir com alpargatas. Que dia lindo. Que gente preocupada montando e construindo o grande mundo. De fato, o mundo é uma grande teia. Correr pra não desistir. Que café maravilhoso de padaria. El polen: Quisiera ser pajarito com las alitas azules para volar divertido sábado, domingo y lunes. Estrujar, palavra nova pra mim. Descobri sem querer brincando com a palavra esdrújula. Procurei errado no dicionário. Achei estrujar: tirar o sumo, esgotar.

- Ay Zitarrosa...Hago falta... Yo siento que la vida se agita nerviosa si no comparezco, si no estoy... Siento que hay un sitio para mi en la fila, que se ve ese vacío, que hay una respiración que falta, que defraudo una espera... Siento la tristeza o la ira inexpresada del compañero, el amor del que me aguarda lastimado... Falta mi cara en la grafíca del pueblo, mi voz en la consigna, en el canto, en la pasión de andar, mis piernas en la marcha, mis zapatos hollando el polvo. Los siete ojos mios en la contemplación del mañana... Mis manos en la bandera, en el martillo, en la guitarra, mi lengua en el idioma de todos, el gesto de mi cara en la honda preocupación de mis hermanos.



haikai espontâneo

"Sim, inverno, estamos vivos."



Que susto.


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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A um ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade



eu também vou reclamar:


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Meio intelectual, meio de esquerda

De Antonio Prata.

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim, Câmara Cascudo, saca?).


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Bar Brasileirinho, burguesia cultural em Curitiba. Maio de 2007.


- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?


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eu também vou reclamar:


" "

Maldita noite. Ônibus demorado. Esqueci o celular. Cruzo as pernas.
Olho pra lua. Sinto as coxas quentes embaixo da saia.
O cabelo roçando os seios. As mãos quentes e até os meus pés, quem diria.
O vento já chega bagunçando tudo. Em outro post já fiz amor com deus.
Hoje não sei quem vem. Papo de ponto de ônibus...
- Meu nome é Vento, prazer.
- Vento Prazer?
- Não, Vento, queridinha.
- Ah pensei que fosse Prazer, desculpe.
- Não foi nada...
- Ah, tudo bem então...

De repente mão na folha, folha na mão. Como laranja como quem beija.
Pele arrepiada, frio a beça. As pernas quentes se picham, querem se separar.
Estou sozinha. Faz frio, muito frio. Ele disse Vento, mas o segundo nome era Frio.
Tenho certeza que é Frio, se não é, é parente.
- Pois é...E sol que é bom, nada né moça.
- Pois é...

Ônibus demorado...mas não adianta, parem de tentar iludir meu clitóris!
Acabou. Me larga! Bando de estrelas voyer. Sumam!
Só sobra um cabelo descabelado. Se fosse música...meu deus, que música...
Se alguém notar como danço por dentro, como me contraio, me mordo, me mexo...
Começou a chover. Que horas são?
Acho que perdi o ônibus...maldita!
- Fica pensando em sexo, fica, idiota! Merda...idiota! Brochei.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


O paradoxo social da boemia juvenil:






Eu me vendia sim, me vendia por que me botavam preço,
então eu barganhava, custava, valia e trocava.
Hoje percebi que o que vale, é não valer nada mesmo.

Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


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Baryshnikov


- É que eu sou descendente, é por isso que fica a marca assim.
- Não, o meu marido foi pro Nordeste depois, eu não queria ir, não gosto de calor, mas tive que ir.
- Daí eu tirei a primeira vez e a guria me falou daqui, mas eu devia ter feito mais cavada mesmo.
- É moça, talvez tenha que tirar a calcinha.

Estava longe, muito longe.
- Moça! Vai ter que tirar a calcinha!
- O quê?
- A calcinha!
- Ah, tudo bem.

Abaixo a calcinha amarela. Porra, nunca pediram pra eu tirar a calcinha.
Será que ela vai tentar me atacar? Eu devia ter perguntado se era sério.
E se ela estivesse brincando? E será que vou impedir? Não posso sair por aí tirando a calcinha quando escuto " Tira a calcinha, moça".
Merda, onde enfiei o meu pudor?
Mas não me admirei muito. A arte em geral te tira essa vergonha em relação ao corpo, ainda mais na dança, onde você se troca na frente de qualquer um, correndinho por que logo precisa sair linda e travestida pela cochia.
A cada dor maior que sentia, pensava nas dores que sentiam os torturados de 70.
Pobre Soledad. Minha dor nunca se comparará a dor que ela sentiu aquela tarde, esfaqueada, marcada, fuzilada e morta. Esqueci de falar de grávida. Grávida de quatro meses.
Então em uma tarde de muitas dores, duas vidas: uma que se foi e a outra que nem tinha chegado ainda. A cada dor, imaginava as dores das torturas. Os dedos amassados, os olhos esticados. Os hematomas. O silêncio que só faz gritar o homem e a mulher leal.
E eu pensava nisso e nem sentia tanta dor.
Uma época estava no "foda-se", naquela fase que a gente acorda pro mundo e quer acordar o mundo todo e tira as máscara de todo o mundo na rua como se fosse um louco idiota, sabe, a fase em que desnecessariamente encontra problemas pra se relacionar com outro ser que seja da mesma espécie. Permaneço intolerante mas aprendi a compreender e amar mais os meus cachorros e o reino animal em geral.
Até carne estou parando de comer. Então nessa época falei "não mais me depilarei, já que isso é uma imposição social e desnecessária". Foi bom, mas nenhuma mulher sai super-peluda por aí.
Bem como não sai tirando calcinha, nem jogando beijos, nem cumprimentando a todos (taca pedra na Geni!) . É higiênico, eu sei. É doloroso. Está na hora. E então saí de lá. R$31,50 mais pobre e então a sociedade já não mais me reprime, bem como não me reembolsa o dinheiro que gastei. Nós peludas. Nós feias.
Nós mulheres. Temos que dar um jeito, por que o mundo está aí minha nega e se você pariu e ficou pelancuda, o problema é teu, sinto muito, sua filhinha está aí e pode pegar o homem que quiser.
Deve existir um mundo dentro da terra onde as pessoas não se importem com as malditas aparências. E talvez um gnomo gentil pense assim, e te queira do jeito que és. Mas um gnomo não é humano. E sociedade humana é essa coisa que te faz sentir dor e gastar dinheiro inutilmente. Eu realmente preciso encontrar motivos pras minhas ações, preciso criar um imaginário válido, algo que me distraia e quem sabe até me agregue fé, piedade, essas humanidades em geral. Senão, faço, pago e venho aqui escrever. Quando não faço, escrevo também.
Vocês leitores que atribuam valores às minhas palavras, ações e pernas, por favor, porque os meus eu ainda estou inventando e sem vosso julgamento e leitura nada sou aqui.
Um ser social. Social. Com C. Obrigada.

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Una buena muchacha
de casa decente no puede salir
que diria la gente el domingo en la misa
si saben de ti,
que dirian los amigos
los viejos vecinos que vienen aqui
que dirian las ventanas tu madre y su hermana
y todos los siglos del colonialismo español
que no en balde te han hecho cobarde
que diria dios,
si amas sin la Iglesia y sin la ley.


Silvio Rodríguez - La familia, la propiedad privada y el amor.



Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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Outro erro.

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eu também vou reclamar:


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Desobediência Criancil







Essa liberdade aí, meu filho. Nunca mais. Só com muita arte ou muita droga.

Versinhos de dita dura:

AI5:
aiaiaiaiai

1964: última vez que a gente civil.

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eu também vou reclamar:


Do sublime e do livre...




Camaradas, provarei o quanto sou uma pessoa sexy. Além de comer omelete de atum
com bacon com os meninos do xerox hoje de manhã, usar a mesma roupa durante três dias já
que durmo com elas, e não fazer depilação (que não é aparação, por favor) há pelo menos
dois meses (eu tomo banho amor, juro) sou uma pessoa muito sensual virtualmente falando .
E sabemos todos o quanto isso é importante num mundo globalizado de óvulos com espaço
de gigas (va-gigas rarara) e de espermatozóides que navegam na velocidade da luz.
Aqui, uma breve demonstração de minha habilidade que nada deixa a desejar ao nosso pai,
rei e amante, Austin Powers:




Depois de conversar sobre "com quantos beijos as pessoas de determinadas regiões se
cumprimentam", de como esse hábito deixa nós (estrangeiros) perdidos e atrapalhados e
de como cumprimentar várias pessoas em Porto Alegre deixa a gente tonto já que são
três beijos que se dão, a despedida:

Fernando Prates says:
8 de um lado só
Fernando Prates says:
ou no meio
Fernando Prates says:
tu que decide hehehe
Fernando Prates says:
do rosto*
Clara says:
erererre
Clara says:
não, tenho medo de te deixar mais tanto
Clara says:
* Humildade Off
Clara says:
(aqui foi digitado um emoticon safado)
Clara says:
tonto*
Clara says:
merda, estraguei a cantada
Clara says:
(aqui, um emoticon gargalhando)
Fernando Prates says:
fui!
Clara says:
aararararararraraa
Clara says:
I`m so sexy

-


Quando deus fez a humanidade disse:
- Merda!
Depois de muito pisotear e atropelar sem querer alguns humanos que pulavam exauridos
em suas pernas divinas com suas existências sem sentido, deus disse:
- CALMA! TEM VERDADE PRA TODO O MUNDO!
O Nietzsche só intelectualizou o Genesis.

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breve relato / notícia-crime

Quando o homem voltou da guerra, desfigurado olhou com seu único olho olhante
para sua mulher ingrata que havia-se recasado:
- Vadia! Desgraçada! Eu só passei 50 anos fora!



Cursar história e analisar as mudanças e ações humanas no mundo no decorrer
do tempo me fez brotar um sentimento primitivo muito forte. Imito macacos enjaulados
quando estou em um ambiente tenso. Frases como "Vou cheirar teu rabo" têm se tornado comuns.
Com grande felicidade e pessimismo tenho notado o quão adoráveis somos nós,
primatas contemporâneos fazendo arte e gracinha uns pros outros.

Vi um vídeo de um chimpanzé muito agitado que corria em direção ao público
(que olhava ele como um objeto bonitinho na vitrine) como que escolhendo
um humano pra ser voluntário de seu espetáculo.
O macaco voltava, pegava um monte de esterco e jogava no povo.
E o povo então, tirando foto e olhando o exótico e bicho animal recebia então
aquele presente pesado e fedido. Fez isso umas três vezes. Estava muito feliz.
E o povo lá, olhando pro bicho, tirando foto, recebendo merda como que
se não estivessem entendendo nada.
Eu DELIREI.





Um dia chegará minha vez.



PS: Preciso dizer que tudo aqui descrito é verdade e que de acordo
com o código social do século XXI negarei meus pêlos e minhas cantadas,
alegarei que tudo que disse e escrevi aqui é licença poética. E se é!



Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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****CoMeNtA nU MeU****

- Adorei teu blog, gatinha!

- Você escreve muito bem...

- hauhaushahsushusuaha

- *****KY USD 35,00 Click here!*****



Ler pra quê? O importante é comentar...

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eu também vou reclamar:


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fogo foguinho
eu ia cantando
na noite estrelada
cheiro de laranja queimada
aqui de mim pertinho
vejo tanta gente deformada
tanta gente que era gente
antes de virar cromo, amoníaco
e outras coisas que me fazem mal
tem um cheiro tão ruim de mentira
arranco o nariz mas não sai
os gritos eu páro ou tento
surdo eu já fiquei e som esqueci
firmo os pés mas o mundo não pára
ninguém me obedece na ciranda
a gente branda se queima
eu sinto o cheiro da carne queimando
aqui napalm da minha mão.


- Clara, não se queime e nem pegue fogo...



Changuito Taficeño - Alberto Rojo


Chacarera del Fuego do mesmo autor da postada pintura.


Fueguito que va bailando, canciones y melodías,
Acompáñame despacio, cantando seré ceniza,
Cuando ya no quede nadie, solito se apagará.

♪♪


Milonga companheira. Inverno íntimo e precoce. Cidade toda dormindo-vazia.
Gente sonando ressonancia. Reclamando da sonoridade da vida.
Ora dos desastres agudos ora dos sonhos graves.
Brasa. Brasil. A noite tem um fogo lento. Me chama.
Me queima e depois é só fumaça. Ouço chispas.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas

Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!

Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul o mesmo da minha infância,

Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!

Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo ¿
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio, quero estar sozinho!


Alvaro de Campos - Uma das Pessoas do Fernando





- Este poema foi declamado na última terça-feira por um dos Leminskianos sobreviventes
da província Curitiboca. Tal Leminskiano fez um poema onde dizia "tocar flauta com a
coluna vertebral". E eu adorei esse verso. Além do canibalismo subjetivo da frase, é acima
de tudo fazer música com os ossos. E em vez de fazer uma percussão esperada não, ele
sopra o ossos...Coluna: um instrumento de sopro. Nunca tinha pensado.
Mas na verdade não quero e nem vou divagar muito sobre soprar os ossos a questão é:
seguramente quem sopra os ossos é uma pessoa muito só.
Como eu e como todos os que estavam naquele boteco numa terça-feira.
Dia de dormir cedo pra ir trabalhar na quarta, dia de esquecer a poesia e ficar só por
apenas alguns intantes enquanto o ônibus não vem. Mas a gente quer ficar só!
A gente adora uma solidão compartilhada.
E é essencialmente por isso que a gente se relaciona, lê e publica o que escreve.
Pra se sentir só, junto aos sozinhos deste mundo.

Clara Cuevas


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eu também vou reclamar:


(Arrigo Barnabé)







São Paulo, 31 de dezembro de 1999. Falta
pouco, pouco, muito pouco mesmo para o
ano 2000 e você, ouvinte incauto, que no
aconchego de seu lar, rodeado de seus
familiares, desafortunadamente colocou
este disco na vitrola, você que, agora,
aguarda ansiosamente o espocar da
champanha e o retinir das taças, você,
inimigo mortal da angústia e do
desespero, esteja preparado... o pesadelo
começou. Sim, eu sei, você vai dizer que é
sua imaginação, que você andou lendo
muito gibi ultimamente, mas então por
que suas mãos tremeram, tremeram,
tremeram tanto, quando você acendeu
aquele cigarro... e por que você ficou tão
pálido de repente? Será tudo isto fruto da
sua imaginação? Não, meu amigo, vá ao
banheiro agora, antes que seja tarde
demais, porque neste mero disco que você
comprou num sebo, esteve aprisionado
por mais de 20 anos, o perigoso marginal,
o delinqüente, o facínora, o inimigo
público número 1, Clara Crocodilo...

Quem cala consente, eu não me calo
não vou morrer nas mãos de um tira
Quem cala, consente, eu desacato
não vou morrer nas mãos de um rato
Não vou ficar mais neste inferno
nem vou parar num cemitério
Metralhadora não me atinge
não vou ficar mais neste ringue


Ei, você que está me ouvindo, você acha
que vai conseguir me agarrar? Pois então,
tome...
Já vi que você é perseverante. Vamos ver
se você segura esta...
Meninas, vocês acham que eles querem
mais?
Querem sim!
Você, que então é tão espertinho, vamos
ver se você consegue me seguir neste
labirinto.

Clara Crocodilo fugiu
Clara Crocodilo escapuliu
Vê se tem vergonha na cara
E ajuda Clara, seu canalha
Olha o holofote no olho,
Sorte, você não passa de um repolho

Onde andará Clara Crocodilo? Onde
andará? Será que ela está roubando algum
supermercado? Será que ela está
assaltando algum banco? Será que ela está
atrás da porta de seu quarto, aguardando o
momento oportuno para assassiná-lo com
os seus entes queridos? Ou será que ela
está adormecida em sua mente esperando
a ocasião propícia para despertar e descer
até seu coração...
ouvinte meu, meu
irmão?